outubro 22 2013

Pesquisa sobre o Amor – J. Herculano Pires – Parte 2

 

Freud exalta na psicanálise a importância da parelha pai-mãe para o desenvolvimento de uma criança. Um pai e uma mãe têm funções específicas definidas e insubstituíveis na formação de um filho (a), no desenvolvimento de seu ego e superego.

Dentro do aspecto fundamental o amor une dois seres como se fossem apenas um, vencendo todas as dificuldades, contratempos da existência, ignorando o fastio da rotina e nenhum pode substituir qualquer dos dois, e se um morrer o outro continuará fiel a sua memória até o fim de sua vida, evitando situações vexatórias em que pessoas maduras se colocam em risco, se expõem ao ridículo por ignorância e somente a pré-disposição de enxergar com clareza e os recursos culturais podem afugentar as trevas e a cegueira oriundas da ingenuidade, vaidade, teimosia, fragilidade e pelo doce sabor deixado pelas ilusões passageiras, porque o ato do amor é pessoal, individual e ôntico. Ele brota da estrutura psíquica de uma pessoa definindo da ação relacional de um indivíduo para o outro.

O homem é inferior diante da imensidade cósmica. Numa avaliação quantitativa esta inferioridade é compensada qualitativamente justamente pela importância de suas potencialidades, afinal todos nós somos capazes de aprender, de saber diferenciar o certo do errado, o bem do mau, mas usará de seu livre arbítrio para fazer suas escolhas. Infelizmente o empobrecimento do amor precipita a queda de todos os valores do espírito em ascensão.

O desespero e a tensão das fases da permanência dos valores e anseios fora do esquema consciencial necessita romper com sua própria natureza, desumanizando-se e caindo na barbárie, tornando a luta contra as leis da consciência numa luta contra a humanidade e a pretensão humana, paga bem caro pelo seu atrevimento.

Porém como lidar com o misto de terror, prazer, angústia e culpa com todas as variações emotivas e desequilíbrios sensoriais da personalidade psiconeurótica? Tudo isso se torna algo meio que tóxico-alucinógeno e de extremo poder de viciação, o charco do amor, que após transbordar passa a ser desejo, loucura. As grandes potências ciosas de seus segredos e poderio preparam em silêncio a liquidação atômica do planeta. Assim não adianta pregar o amor a um mundo enlouquecido, todavia se na maior parte do tempo agirmos, pensarmos e falarmos com amor, já estaremos dando nossa contribuição. Todos nós somos amor e cada vez que quisermos dar um pouco de nós mesmos aos outros já seremos uma pequena fonte, como um pequenino oásis em que borbulha a fonte de água pura e fresca diante de um viajante.

Equivocados estão os que acreditam que o amor é fruto da convivência, porque amor é uma coisa e convivência é outra bem diferente. É obvio que da convivência possa surgir uma forma de amor “comodista” onde ambas as partes se fazem de “muletas” uma da outra. Só que isso está longe de ser chamado de amor, aquele amor com letra maiúscula, poético, encantador, pleno e preenchedor que todos sonhamos em viver, segundo Sócrates nos livrando do vazio, mas esse amor não nasce da convivência. Em relacionamentos assim se estabelece uma espécie de tolerância onde um atura o outro de acordo com suas conveniências.

Continuação...

(Roberta Dias)

setembro 6 2011

A Manhã Perfeita – Gordon Banks

Acordei e olhei ao redor. O despertador ainda não tinha tocado; estava com meia hora de antecedência naquele dia. Eu queria chegar cedo ao trabalho para impressionar o chefe, afinal era o novo gerente de vendas da empresa. Batalhei durante meses com uma concorrência muito pesada pela promoção, mas havia uma semana o patrão finalmente reconhecera meus esforços e agora eu teria uma sala espaçosa no nono andar.

Levantei e abri a janela com entusiasmo. Fazia um dia lindo lá fora, uma manhã perfeita. Fiz a barba com calma, depois tomei um banho quente de dez minutos; o vapor encheu o banheiro e aquilo me acalmou. Fui para a cozinha e abri a geladeira; os restos da pizza da noite anterior estavam lá, atum e portuguesa, e pareciam convidativos. Resolvi comê-los e aí juntei ao menu mais duas bananas e um iogurte de mel. Terminei o café com um copo de suco de laranja que eu tinha preparado minutos antes de me sentar à mesa.

Coloquei minha camisa amarelo-canário, o dia pedia. Vesti o terno azul-escuro que combinava com a camisa e a gravata vermelha que combinava com o terno. Ia também estrear meus sapatos pretos novos. Um gerente nacional de vendas de aparência impecável. Prendi um guardanapo no colarinho enquanto escovava os dentes e, depois de jogá-lo fora, penteei o cabelo.

— Você está ótimo! — sorri e dei uma piscadela espirituosa para o cara do espelho.

Saí de casa e o dia estava maravilhoso, um céu azul e o sol brilhando, mas sem queimar a gente. Uma manhã perfeita. Era uma caminhada de cinco minutos até o metrô. Inspirei aquele ar fresco de agosto, verifiquei se não estava esquecendo nada, chaves, carteira, maleta, e então parti.

Eu era fã daquele tempo agradável. Logo antes de a primavera realmente começar, a mulherada geralmente usava pouca roupa na rua e eu estava estranhamente propício a passar cantadas naquela manhã. Estava me sentindo ótimo, tudo na minha vida ia bem naquele ano, saúde, família, amigos. A única coisa da qual eu sentia falta era uma companheira para compartilhar minha vida maravilhosa. Mas se dependesse de mim, esse problema logo estaria resolvido.

Entrei na estação do metrô e evitei as escadas rolantes. Sempre achei coisa de preguiçoso. Segui descendo pela escada fixa comum. Paralelo a mim estava a escada rolante que subia e uma pequena multidão de trabalhadores apressados.

Foi então que vi subindo pelas escadas rolantes, espremida no meio da multidão, a mulher mais linda na qual já colocara os olhos. Uma morena lindíssima de olhos cor de mel; usava um vestidinho social cor de grafite e uma bolsa que combinava com os sapatos pretos. Não consegui tirar os olhos dela e minha alegria foi indescritível quando percebi que ela também estava me encarando esfomeadamente, com um sorrisinho discreto no canto da boca. Eu tinha me barbeado e estava com meu terno azul-fatal. Estou irresistível, pensei.
Quando finalmente passamos um do lado do outro, arrisquei um sonoro oi que ela respondeu, muito simpática. Ainda descendo as escadas, virei a cabeça para continuar a vê-la e dizer mais alguma coisa. Foi quando ouvi um estalo logo abaixo de mim. Uma dor aguda e urgente me subiu pela perna e foi aí que me dei conta do meu tornozelo quebrado.

Tropecei e comecei a rolar pelas escadas. Devo ter ouvido mais uns dois estalos que indicavam que mais alguma coisa tinha se partido dentro de mim. A escada era longa e tive muito tempo para me machucar. Dava para sentir o peso do sangue escorrendo no interior do meu peito, de uma forma que ele obviamente não deveria estar. Nos últimos degraus da escada, meu cotovelo bateu no chão e virou meu corpo de frente ainda rolando. Dei uma cambalhota desajeitada que me lançou um metro no ar; aterrissei em cima da minha cabeça. Tentei gritar quando senti meu pescoço quebrando, mas meu corpo já não respondia.

Caí no átrio estirado, paralisado. A morena estava no alto da escada olhando horrorizada, algumas pessoas se aproximaram de mim. Ficou frio de repente, eu não sentia meu corpo direito, era uma sensação estranha. Meus olhos estavam abertos, mas não conseguia movê-los.

Não havia mais dor; percebi que não estava respirando e me desesperei ainda mais quando não houve nenhum reflexo do corpo pedindo por ar. Logo tudo começou a escurecer e senti que era o fim. Meu corpo estava se desligando, eu ia morrer.

Eu morri naquela manhã perfeita.

Uau! Que conto é esse? O homem se esforçou tanto para atingir seu objetivo e nem chegou a ocupar sua tão espaçosa sala no nono andar. Parece trágico e triste não é mesmo? Mas acontece! Coitado, morreu sem sua desejada e idealizada companheira para sua vida dita como tão perfeita.

(Roberta Dias)

dezembro 5 2010

Confraternização de fim de ano…

Equipes sorridentes,
Apesar das dificuldades,
Pressões e cobranças,
De todos os dias do ano,

Unidas umas as outras,
Em abraços, cumprimentos,
Danças, conversas, brincadeiras,
Na simples satisfação de estarem juntas,

Ainda que com diferenças culturais e sociais,
Num único dia do ano, tornam-se iguais,
Confraternizam em paz,

Soltam seus balões de sonhos,
Várias vozes em uma, gritando VIVAAA,
Com olhares voltados para o céu e colorido de esperanças…

(Roberta Dias)

novembro 2 2010

Diários do Vampiro – Reunião Sombria – L. J. Smith

Em "A Fúria", Elena descobriu que Katherine era o "Outro Poder", que forjara a própria morte, deixando no local onde os amantes encontraram suas cinzas, apenas o anel de pedra azul que permitia que ela ficasse exposta ao sol e uma carta, onde ela pedia aos irmãos, que por amor a ela, se tornassem amigos e curtissem a imortalidade, mas como eles não foram capazes de atender ao seu último pedido, decidiu se vingar.

Katherine partiu rumo a Fell’s Church e induziu seus ex amantes a irem para lá, acreditando que eles sofreriam e sentiriam remorso com a extrema semelhança entre Elena e ela. Assim se infiltrou na casa de Elena, como uma gatinha branca de estimação e assumia diversas formas para controlar os passos de todos. Ela ficou irada por Stefan ter se apaixonado por Elena, tê-la pedido em casamento, dando a ela o anel que era seu e por Damon disputá-la com o irmão, além do fato de terem se unido a pedido de Elena para lutar contra o "Outro Poder".

Diante de sua vaidade ferida, conseguiu atraí-los para a sua armadilha através da paranormalidade de Bonnie. Amarrados, feridos e desprovidos dos seus anéis, Stefan, Elena e Damon, morreriam queimados se expostos ao sol, então Elena partiu para o combate, eliminando Katherine e sacrificando a própria vida.

"Reunião Sombria" começa agora. Já se passaram seis meses desde que Elena faleceu. Bonnie se comunica com ela através de sonhos, acredita, sente a presença da amiga, mas não compreende com clareza os recados que ela tenta transmitir com tanta urgência.

Caroline, com a ajuda de Bonnie prepara uma festa surpresa de aniversário para Meredith. A meia noite, as meninas já deitadas no quarto de Caroline, começam a lembrar de Elena e Bonnie comenta sobre os sonhos que teve. Pronto! A partir daí surge à idéia de tentar conversar com o espírito de Elena.

Ok, quem nunca brincou de algo parecido? Tipo um tabuleiro, letrinhas em pedaços de papel, um copo emborcado, uma velinha acesa, os participantes sentados formando um círculo em torno do tabuleiro, um participante com o dedo sobre o copo (teoricamente sem encostar o dedo) e fazendo perguntas como tem alguém aí? O que você quer? Está aqui para o bem ou para o mal? Enfim, quando moleca eu bem que tentei brincar, mas quando achei ter visto o copo mexendo, meti o pé, saí correndo apavorada e nunca mais quis saber disso e hoje dou boas risadas quando lembro, mas voltando ao livro...

Caroline manda Vickie ir buscar sua tábua Ouija na última prateleira do armário no corredor, quando, de repente, escutam os gritos de Vickie. Elas correm para ver o que aconteceu e a jovem alega que algo de dentro do armário segurou sua mão. Olharam daqui, dalí e como não viram nada desceram para fazer a brincadeira na sala. Elena começou a se comunicar com elas e dizia para que elas saíssem o mais rápido possível de lá, porque estavam correndo perigo e que "ele" era muito mau. A noite terminou com a morte de Sue e Vickie em estado de choque, dizendo que seria a próxima e que todas iriam morrer.

Após analisarem as mensagens de Elena, Bonnie faz um feitiço de invocação e Stefan surge novamente com Damon. Juntos Stefan, Damon, Matt, Bonnie e Meredith, atendendo ao pedido do espírito de Elena, partem em busca desse novo ser maligno (Klaus) que ronda Fell’s Church e leva perigo aos moradores.

A série Diários do Vampiro teve início com "O Despertar", em seguida veio "O Confronto", "A Fúria" e aparentemente termina com "Reunião Sombria", que me surpreendeu e agradou muito por conta do suspense e do terror. Mas por que digo aparentemente? Digo isso porque no final Damon simplesmente deu as costas e sumiu na escuridão, o clima de romance entre Bonnie e Matt ficou no ar e o mesmo aconteceu com o relacionamento entre Alaric e Meredith, que ficou de responder sobre o futuro deles após completar seus dezoito anos, sem falar em Stefan e Elena, ela ressuscitou, conquistou uma nova chance, mas "nós" leitores ficamos sem saber como será daqui para frente, como assim ela morre e depois surge novamente do nada? E os detalhes "sórdidos" desse amor tão fervoroso dos dois... rsrsrs... Ahhh... Assim não vale!...rsrsrs

(Roberta Dias)