junho 17 2010

Nada é como parece – Marcelo Cezar

É um livro que nos conduz a reflexão e nos ajuda a esclarecer a consciência.

Ensina que todos temos o direito de pensar e idealizar as pessoas como quisermos, afinal possuímos a mente, e com ela o dom de criar situações, como também de enxergar os outros de acordo com nosso senso de realidade.

Senso este que muitas vezes mais atrapalha do que ajuda, simplesmente porque nos cega. Já é hora de entender que devemos olhar e aceitar as pessoas como elas são, e não como gostaríamos que elas fossem.

É comum olhar para o outro, apontar defeitos, fraquezas e fazer julgamentos, mas esquecemos que enquanto um dedo aponta, os outros dedos estão voltados para nós mesmos, e sempre que julgamos, somos julgados na mesma medida e peso.

Embora seja difícil de acreditar, ainda existem pessoas boas e generosas espalhadas pelo mundo, basta ter olhos para ver. A vida é mágica!

Não existem probabilidades, a vida nos envia sinais para melhorarmos sempre, por pior que possa parecer a situação. Aprender a viver melhor é tarefa intransferível, porque ninguém é fraco, apenas não sabe usar a própria força e quando estamos destinados a nos cruzar no mundo, não há tempo e nem fronteiras.

julho 3 2009

Divã – Martha Medeiros

Diva - Martha Medeiros

O livro conta à história de uma mulher com seus quarenta e poucos anos, casada e com três filhos.

Mercedes decide fazer análise e durante as freqüentes sessões com Lopes, ela narra toda a sua
vida desde a infância.

Seguiu todas as fases, brincou de boneca, teve medo do escuro, ficou nervosa com o seu primeiro beijo, bateu a cabeça no teto do carro enquanto trocava uns "amassos", mas suas idéias estão longe de ser cor-de-rosa e isso a difere das demais mulheres.

Forte, prática, decidida, fogosa, engraçada, teimosa e autoritária, Mercedes não considera-se vítima de ninguém, sabe que é várias mulheres em uma só e precisa se autoconhecer.

Na verdade, Mercedes pode ser comparada a um vulcão adormecido, que está pronto para explodir a qualquer momento e essa explosão surge da necessidade de quebrar seus próprios tabus, cometer loucuras, porque como ela mesma disse: "Se ser feliz para sempre é aceitar com resignação católica o pão nosso de cada dia e sentir-se imune a todas as tentações, então é deste paraíso que quero fugir".

Com o decorrer das sessões de análise, Mercedes descobre-se falível. Segundo ela, a sua cabeça é como um guarda que não permite que ela estacione em lugar algum. Ela fica dando voltas em seu cérebro e quando encontra uma vaga para ocupar, o guarda diz: circulando, circulando.

Dei boas risadas lendo esse livro e separei mais alguns trechos interessantes:

"Eu não tenho medo de perder o senso. Eu tenho medo é desta eterna vigilância interior, tenho medo do que me impede de falhar".

"Não me sinto disputando ninguém, não me sinto insegura, confio mais na paz que ele me dá doque numa imaginação que só quer me infernizar".

"Suporto tudo nessa vida, menos as fases transitórias, aquelas onde já abandonamos o lugar em que estávamos mas ainda não chegamos onde queremos".

"Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos".

"A liberdade é atraente quando existe como promessa, mas enlouquece quando se cumpre".

"Não gosto de nada que é raso, de água pela canela. Ou mergulho até encontrar o reino de Atlântida, ou fico à margem, espiando de fora".

"Não gosto da vida em banho-maria, gosto de fogo, pimenta, alho, ervas..."

"Sabemos quem somos e o que sentimos, mas não sabemos até quando".

É isso, Mercedes mergulhou fundo em si mesma, respondeu sim, não, e agüentou as conseqüências.

(Roberta Dias)