dezembro 28 2012

Saudades Mãe…

Como dizer?
Como explicar?
Que sinto sua falta,
E que imensa é minha dor,

Que sozinha não posso aguentar,
Estou parada num único lugar,
Paralisada, petrificada,
Perdida, solitária,

Em pensamentos só meus,
Com lágrimas derramadas na calada da noite,
Soluços abafados pelo travesseiro,

Oprimindo o peito pelo desejo imenso de correr,
Desaparecer com o nevoeiro na esperança de revê-la,
Após um ano e vinte dias de sua partida.

(Roberta Dias)

agosto 17 2010

Ironia – Frases soltas que deveriam ser presas – José Francisco de Lara

É um livro fantástico, uma coletânea de máximas, frases e pensamentos, cujo objetivo é descontrair aos que levam o bom humor a sério.

Três pensamentos ajudam a compreender o verdadeiro espírito deste livro:

”A ironia é uma forma elegante de ser mau. – Berilo Neves”

“A originalidade é a marca do gênio. Mas para quem não pode almejar tanto, o cultivo do lugar comum bem aplicado, do provérbio usado em boa hora, também ajuda muito, e às vezes, até substitui o talento real. E, convém lembrar, o domínio do óbvio está ao alcance de qualquer um. – Millôr Fernandes”

“As melhores idéias são propriedades de todos. – Sêneca”

Segundo José Francisco de Lara, todos somos seres dotados de peculiaridades; temos virtudes, defeitos e algumas características bizarras que, feliz ou infelizmente, fazem parte de nosso ser. Se ele pudesse nos presentear, sem dúvida seria com a capacidade de aprender a rir de si mesmo, porque aquele que olha com bom humor para si próprio torna-se apto a encontrar graça até na própria desgraça e ele finaliza dizendo: “Ria, e o mundo rirá com você. Ronque, e dormirá sozinho”.

Poderia citar o livro inteiro, mas separei apenas três trechos:

“Quem tem imaginação, mas não tem cultura, possui asas, mas não possui pés. – Joseph Joubert”

“Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu. – Sarah Westphal Batista da Silva”

“O homem que não aprende a viver enquanto trabalha para enriquecer-se será mais pobre, uma vez rico, do que o era anteriormente. – John G. Holland”

Ironia é um livro que vale a pena, porque além de fazer rir, também nos leva a refletir.

agosto 4 2010

O Efeito Sombra – Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson

O livro fala sobre o conflito entre quem somos e quem queremos ser, uma vez que a dualidade não só existe como faz parte de todos nós.

A vida e a morte, o bem e o mal, a esperança e a resignação, são exemplos dessa dualidade.

Se sabemos o que é ter coragem, é porque já experimentamos o medo, se reconhecemos a honestidade, é porque já encontramos a falsidade e, no entanto, a maioria de nós ignora ou nega a própria natureza dualista.

A idéia de que somos apenas de um jeito ou de outro limita nossas características. Hoje em dia muitos têm acesso à sabedoria, mas não encontra força, nem coragem para agir segundo suas intenções, continua a se expressar de maneira contrária aos próprios valores, a tudo aquilo em que acredita e isso ocorre justamente quando não fazemos um auto-exame de nossa vida, do nosso eu mais escuro e sombrio.

Desde cedo aprendemos a temer o lado escuro da vida, assim como o nosso. Toda vez que pensamos em algo que consideramos feio ou que temos um comportamento que julgamos ser errado, tentamos esconder para que não chegue aos olhos do mundo, fingimos que nada aconteceu porque simplesmente tememos o julgamento alheio e a possível vergonha.

Embora a norma seja ignorar ou reprimir o lado escuro do nosso eu, fugir dele vai apenas intensificar o seu poder, nos causando mais dor, sofrimento, tristeza e submissão, nos impedindo de expressar inteiramente o nosso eu, de falar nossa verdade e de viver uma vida autêntica. Quando aprendemos a extrair a sabedoria oculta e a aceitar todas as nossas versões, reconhecemos integralmente quem somos, nos libertamos de comportamentos que podem nos levar para baixo, impedimos que a escuridão nos controle, que tire nossas decisões conscientes, que nos incite de forma errada, que desperdice nossa energia vital em maus hábitos e comportamentos repetitivos.

O efeito sombra está em toda parte. Ele está nos aspectos da vida, no que lemos online, no que vemos nos noticiários da TV, em nossos amigos, familiares ou mesmo nos estranhos na rua. Talvez possamos reconhecê-lo de forma mais expressiva em nossos próprios pensamentos, comportamentos, e senti-lo nas interações que fazemos com os outros.

Na verdade, o oposto do que teremos é, de fato, o que acontece, em vez de vergonha, sentimos simpatia, em vez de constrangimento, ganhamos coragem, em vez de limitação, experimentamos a liberdade, pois a sombra mantida oculta torna-se uma caixa de Pandora repleta de segredos que tememos destruírem tudo o que amamos e gostamos, mas abrir a caixa significa descobrir que seu conteúdo pode alterar de forma positiva a nossa vida.

A empatia por nós mesmos, pelo poder escondido em nossa verdade permite que sejamos reais, nos dá a centelha de ignição para a partida rumo à plenitude, a paixão e a realização de nossos sonhos.

As idéias apresentadas levam ao autoconhecimento e a muitos questionamentos. Bom livro!

junho 29 2010

Reconhecer…

Saber ver as coisas do jeito que são. Parece fácil? Nem sempre. Há dentro de nós uma força imensa dificultando nossa visão.

Observando como ela surge dentro de mim, mascarando atitudes, vestindo-se com os mais diferentes papéis, esforçando-se para encobrir a realidade, me pergunto por quê e para quê.

Assombra-me por vezes constatar que, apesar de minha perspicácia tão aguda em certos momentos e para determinadas coisas, eu seja capaz de ser tão ludibriado e tão fragorosamente enganado em outras, não as enxergando senão através da ótica viciada de minhas ilusões.

Se por um lado pode parecer decepcionante, por outro convida a pensar com mais calma e a ser mais humilde, pois exatamente no momento em que nos julgamos aptos, quando percebemos um pouco mais de nossa realidade interior, exatamente quando acreditamos ter amadurecido por termos conseguido compreender melhor a vida, as coisas e a nós mesmos, é que, subitamente, deparamos com aspectos novos de nossa realidade interior, inesperados e até a pouco ignorados, escondidos ferozmente pela ilusão.

Reconhecer a própria alma significa assumir seu lugar, crescer, ser consciente, passar de observador a cooperador, de cego tatear nas trevas a caminhada clara e definida no rumo certo.

Se reconhecer o que somos nos leva a tudo isso, que força é essa que nos oprime e desvia, que estabelece condições passageiras, que desfigura os fatos e os traveste de receios?

Perguntas que tenho feito…

Penso, de vez em quando, em como seria bom se eu pudesse livrar-me delas para sempre e pensando nisso, comecei a observar com atenção os pensamentos que iam pela minha cabeça.

Ver as coisas como são, significa ser falível em certos casos, é não ter habilidade para certas coisas, ou então possuir alguma tendência…

Perceber que você não é tão honesto como supunha, que no fundo ainda desejaria “ganhar” dos outros, seja lá o que for, é demais para qualquer um, afinal ser honesto é o grande mito de todos nós. Enchemos a boca para falar em honestidade e todos sabemos explicar muito bem o que seja essa qualidade, mas quem de nós admitiria não a possuir integralmente?

Pois é, a vida nos coloca em circunstâncias tais que de repente descobrimos nossa desonestidade, nosso constante iludir, criando pensamentos obstruidores, impedindo-nos de ver como somos.

Mas uma coisa eu sei, não há nada melhor que a verdade. Quanto mais verdade, mais progresso; quanto mais progresso, mais felicidade; quanto mais felicidade, mais alegria e luz.

(Silveira Sampaio)