junho 21 2010

Alexandria

Você é o que você ouve
Ouvir você é mergulhar
Numa piscina de vidro
Com o corpo em chamas

Você não é o que me diz
Não se mova até eu chegar
Um mergulho desesperado é uma chance de encontrar no ar
A solucão para o passado que se recusa a nos deixar

Você é o que você vê
Viu meus olhos e desistiu
De me fazer do seu jeito
De outro jeito não serviu

Você é o que você sente
Eu fiz questão de te marcar
E os muros da cidade gritavam pra eu parar de dançar
Não adianta abrir as portas do céu e plantar armadilhas

Não sou o que você pediu,
Mas posso tentar.
Não sou o que você pensou,
Mas posso tentar

Você é uma escolha
Eu te pedi pra não escolher
Entre nós e os meus discos de rock
E os livros que vamos ler

Você é o que você perde
Me perdi e você se foi
Já faz tanto tempo e eu tentado não me acabar
Em velhas novas mensagens
Que nunca vão chegar

Não sou o que você pediu,
Mas posso tentar.
Não sou o que você pensou
Mas quero tentar.

(Flávio Petit)

julho 3 2009

Divã – Martha Medeiros

Diva - Martha Medeiros

O livro conta à história de uma mulher com seus quarenta e poucos anos, casada e com três filhos.

Mercedes decide fazer análise e durante as freqüentes sessões com Lopes, ela narra toda a sua
vida desde a infância.

Seguiu todas as fases, brincou de boneca, teve medo do escuro, ficou nervosa com o seu primeiro beijo, bateu a cabeça no teto do carro enquanto trocava uns "amassos", mas suas idéias estão longe de ser cor-de-rosa e isso a difere das demais mulheres.

Forte, prática, decidida, fogosa, engraçada, teimosa e autoritária, Mercedes não considera-se vítima de ninguém, sabe que é várias mulheres em uma só e precisa se autoconhecer.

Na verdade, Mercedes pode ser comparada a um vulcão adormecido, que está pronto para explodir a qualquer momento e essa explosão surge da necessidade de quebrar seus próprios tabus, cometer loucuras, porque como ela mesma disse: "Se ser feliz para sempre é aceitar com resignação católica o pão nosso de cada dia e sentir-se imune a todas as tentações, então é deste paraíso que quero fugir".

Com o decorrer das sessões de análise, Mercedes descobre-se falível. Segundo ela, a sua cabeça é como um guarda que não permite que ela estacione em lugar algum. Ela fica dando voltas em seu cérebro e quando encontra uma vaga para ocupar, o guarda diz: circulando, circulando.

Dei boas risadas lendo esse livro e separei mais alguns trechos interessantes:

"Eu não tenho medo de perder o senso. Eu tenho medo é desta eterna vigilância interior, tenho medo do que me impede de falhar".

"Não me sinto disputando ninguém, não me sinto insegura, confio mais na paz que ele me dá doque numa imaginação que só quer me infernizar".

"Suporto tudo nessa vida, menos as fases transitórias, aquelas onde já abandonamos o lugar em que estávamos mas ainda não chegamos onde queremos".

"Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos".

"A liberdade é atraente quando existe como promessa, mas enlouquece quando se cumpre".

"Não gosto de nada que é raso, de água pela canela. Ou mergulho até encontrar o reino de Atlântida, ou fico à margem, espiando de fora".

"Não gosto da vida em banho-maria, gosto de fogo, pimenta, alho, ervas..."

"Sabemos quem somos e o que sentimos, mas não sabemos até quando".

É isso, Mercedes mergulhou fundo em si mesma, respondeu sim, não, e agüentou as conseqüências.

(Roberta Dias)