setembro 25 2017

Era Uma Vez – Kell Smith

Era Uma Vez, de Kell Smith, é uma música suave aos ouvidos, que me remete a doçura e a tranquilidade da infância, onde tudo era permitido dentro de minha ingenuidade, inocência e imaginação, e que quando me machucava tinha como remédio o beijo e o colo de minha mãe.

Desejei tanto crescer e quando cresci vi que vida de gente grande não é fácil, e que os perigos mudaram de proporção. A diferença é que agora, quando surgem os problemas estou por minha conta.

Escolhi a gravação feita por Bruno Gadiol para compartilhar com vocês e espero que apreciem.

(Roberta Dias)

junho 7 2010

Encarnação – José de Alencar

Essa noite não consegui dormir, então ao invés de ficar sofrendo com a situação, tratei de procurar algum livro. Corri rapidamente o olhar pela prateleira e disse: ops! Esse ainda não li e feliz me entreguei à leitura…

Nossa! E que romance lindo! Sofrido! Tive um pouco de dificuldade porque o autor utilizou palavras de seu tempo e não do meu, mas elas me fascinavam linha após linha.

Assim conheci o amor vivido por Hermano e Julieta, que durou até que a morte decidiu separá-los, levando para longe a alma de sua jovem e doce Julieta.

Hermano desde que perdera sua esposa, vivia de suas lembranças. Saudoso, refugiava-se nelas e nos pertences de Julieta, para alimentar os delírios de sua alma triste e doente.

Sua vida seguiu assim por cinco longos anos, quando surgiu Amália, tão jovem, tão alegre, tão sedutora.

Amália quando criança era vizinha de Hermano e Julieta. Certa vez tomada pelo impulso fez a travessura de espiar o jovem casal e quando os viu aos beijos riu fazendo-se notar. Julieta ficou envergonhada com sua privacidade invadida, mas Hermano a segurou e num gesto firme beijou-lhe a boca, como que para afrontar a curiosa menina.

A pequena Amália cresceu e o que vira na chácara ao lado de sua residência ficou adormecido em sua memória. Se mudou com a família e algum tempo depois retornou no auge de sua mocidade. Ela era linda! Os rapazes faziam filas para cortejá-la, desejavam desposá-la, mas para desespero de todos e de seus pais, a moça não pretendia se casar, ela acreditava que o amor só existia em poesias.

Certa noite Amália conheceu o Dr. Henrique, jovem médico, amigo de infância de Hermano e através dele conheceu toda a história do esquisito viúvo.

Amália se embriagou com os detalhes da vida daquele homem. Muito curiosa, passou a espioná-lo e aos poucos se apaixonou de tal forma por Hermano e sua história, que se viu completamente indefesa e a disposição para fazê-lo feliz.

Hermano e Amália se casaram e embora ele a amasse, não conseguia se entregar a ela, causando grande melancolia em sua jovem esposa. Ele sentia como se tivesse traído sua primeira esposa e enganado a segunda, acreditando não poder entregar-se a ela de corpo e alma como havia prometido.

Diante de muito empenho e sofrimento, Amália lutou pelo amor e pela sanidade mental de seu amado, salvando-lhe a vida não apenas do incêndio que ele provocara com o intuito de se matar e de acabar com tudo que lembrasse Julieta.

Graças a Amália, Hermano renasce para consumar a união dos dois de corpo e alma, vivendo um amor pleno, lúcido e no rostinho feliz de sua pequena filha, Hermano encontrou a resposta para seus questionamentos.

agosto 22 2009

Onde está Teresa? – Zibia Gasparetto

Onde está Teresa?

O livro gira em torno de um duplo assassinato ocorrido em São Paulo.

Otávio fora encontrado desnudo sobre uma cama ao lado de uma mulher cerca de vinte anos mais velha do que ele, ambos brutalmente assassinados a facadas.

Marília, esposa de Otávio, embora já soubesse do ocorrido, recebeu a triste notícia pelos policiais que foram a sua casa como se não tivesse ciência de nada.

Levada à delegacia, Marília fez o reconhecimento do corpo, prestou depoimento e foi liberada, sentindo-se aliviada pela morte do marido, uma vez que o mesmo sempre fora insensível e violento.

Alberto, importante empresário no ramo da construção civil, no Rio de Janeiro, também fora chamado pelo delegado para fazer o reconhecimento do corpo, já que o documento encontrado na cena do crime era de sua esposa.

Muito abalado e nervoso, Alberto olhou o corpo da mulher e reconheceu como sendo de sua esposa. O reconhecimento de Osmar, filho mais velho do casal também foi positivo, todavia Vitório, filho mais novo e Dinda, amiga de infância de Teresa afirmaram que a mulher morta embora fosse muito parecida, não era ela, já que não carregava nas costas, na altura da cintura nenhuma marca de nascença, tampouco possuía a marca da aliança que nunca tirava do dedo. Mas se aquela mulher no necrotério não era Teresa, então onde estaria ela?

Teresa não tinha nenhuma irmã e nenhuma parenta parecida com ela, deixou todos pensarem que viajaria para a Europa, mas não embarcou no avião.

O caso estava cada vez mais misterioso e complicado. Diante do impasse no reconhecimento do corpo, o delegado Monteiro, encarregado do caso considerou mais prudente continuar investigando, apesar da insistência de Osmar em dar o caso como encerrado.

Monteiro já sentia-se desanimado com a falta de pistas quando finalmente as coisas começaram a mudar.

O livro fala sobre amizade, amor, ódio, inveja, traição, orgulho, desejo pelo poder, comportamento, o mundo do tráfico de drogas e as conseqüências de todos esses fatores.

Ele prende a atenção em torno do mistério e planta a curiosidade de saber como tudo aquilo termina. Mostra que os desafios surgem para nos ensinar o que devemos aprender e que essa é a forma que a vida conversa com a gente. Que as coisas verdadeiras são simples e que nossa mente indisciplinada é que complica e bagunça tudo.

Fiquei bastante feliz ao ler este livro e o trecho que mais tocou meu coração foi o seguinte:

“Não existe morte, só existe vida. Só vida, sempre vida!”.

(Roberta Dias)