setembro 25 2017

Era Uma Vez – Kell Smith

Era Uma Vez, de Kell Smith, é uma música suave aos ouvidos, que me remete a doçura e a tranquilidade da infância, onde tudo era permitido dentro de minha ingenuidade, inocência e imaginação, e que quando me machucava tinha como remédio o beijo e o colo de minha mãe.

Desejei tanto crescer e quando cresci vi que vida de gente grande não é fácil, e que os perigos mudaram de proporção. A diferença é que agora, quando surgem os problemas estou por minha conta.

Escolhi a gravação feita por Bruno Gadiol para compartilhar com vocês e espero que apreciem.

(Roberta Dias)

dezembro 21 2010

Amigo Imaginário

O vejo todos os dias,
Lendo, escrevendo,
Ouvindo música, desenhando,
Dormindo, acordada,

Nas plantas, nos pássaros,
No céu negro, nos raios de sol,
Nas ondas do mar que vão e vem,
Arrebentando e formando brancas espumas,

Valas que arrastam sem piedade,
Tamanha é à força da correnteza,
Não… Não posso crer no que dizem,

Você não é um fantasma ou uma estátua fria e imóvel,
Há de existir algo em seu peito, martelando e pulsando,
A cada vez que ouve o meu chamado…

(Roberta Dias)

agosto 17 2010

Ironia – Frases soltas que deveriam ser presas – José Francisco de Lara

É um livro fantástico, uma coletânea de máximas, frases e pensamentos, cujo objetivo é descontrair aos que levam o bom humor a sério.

Três pensamentos ajudam a compreender o verdadeiro espírito deste livro:

”A ironia é uma forma elegante de ser mau. – Berilo Neves”

“A originalidade é a marca do gênio. Mas para quem não pode almejar tanto, o cultivo do lugar comum bem aplicado, do provérbio usado em boa hora, também ajuda muito, e às vezes, até substitui o talento real. E, convém lembrar, o domínio do óbvio está ao alcance de qualquer um. – Millôr Fernandes”

“As melhores idéias são propriedades de todos. – Sêneca”

Segundo José Francisco de Lara, todos somos seres dotados de peculiaridades; temos virtudes, defeitos e algumas características bizarras que, feliz ou infelizmente, fazem parte de nosso ser. Se ele pudesse nos presentear, sem dúvida seria com a capacidade de aprender a rir de si mesmo, porque aquele que olha com bom humor para si próprio torna-se apto a encontrar graça até na própria desgraça e ele finaliza dizendo: “Ria, e o mundo rirá com você. Ronque, e dormirá sozinho”.

Poderia citar o livro inteiro, mas separei apenas três trechos:

“Quem tem imaginação, mas não tem cultura, possui asas, mas não possui pés. – Joseph Joubert”

“Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu. – Sarah Westphal Batista da Silva”

“O homem que não aprende a viver enquanto trabalha para enriquecer-se será mais pobre, uma vez rico, do que o era anteriormente. – John G. Holland”

Ironia é um livro que vale a pena, porque além de fazer rir, também nos leva a refletir.

agosto 13 2010

O amor é para os fortes – Marcelo Cezar

Quem nunca ouviu falar da fulana, que ama cicrano, que ama beltrana, que ama o Zé da esquina, que ama fulana ou que não ama ninguém?

Os “desencontros”, assim como os ”encontros”, fazem parte da vida e do processo evolutivo. Quem, em algum momento da vida, já não deu asas a imaginação, sofreu, chorou, suspirou ou sentiu o corpo arder como se estivesse em chamas só por lembrar, pensar numa determinada pessoa? Quem nunca se apaixonou ou acreditou estar apaixonado por alguém? Quem nunca idealizou como deveria ser o par perfeito?

A idéia de perfeição, quase sempre presente dentro de nós, tanto pode impulsionar rumo ao progresso, como a derrota e ao sentimento de frustração, de infelicidade, porque torna o indivíduo exigente demais consigo mesmo e com os outros.

Quando a pessoa é exigente demais, corre o risco de não conseguir concluir as coisas que faz e de se sentir sempre infeliz, porque simplesmente nunca está satisfeita com nada e nem com ninguém.

O livro fala justamente sobre as ilusões que as pessoas criam e alimentam em suas mentes, em buscas incessantes pela “relação perfeita”.

Segundo o autor, não existe relação perfeita. O que existe é a “relação possível”, aquela em que a alma decifra os segredos do coração, através das experiências vividas, tornando o amor apenas para os fortes.

julho 3 2009

Divã – Martha Medeiros

Diva - Martha Medeiros

O livro conta à história de uma mulher com seus quarenta e poucos anos, casada e com três filhos.

Mercedes decide fazer análise e durante as freqüentes sessões com Lopes, ela narra toda a sua
vida desde a infância.

Seguiu todas as fases, brincou de boneca, teve medo do escuro, ficou nervosa com o seu primeiro beijo, bateu a cabeça no teto do carro enquanto trocava uns “amassos”, mas suas idéias estão longe de ser cor-de-rosa e isso a difere das demais mulheres.

Forte, prática, decidida, fogosa, engraçada, teimosa e autoritária, Mercedes não considera-se vítima de ninguém, sabe que é várias mulheres em uma só e precisa se autoconhecer.

Na verdade, Mercedes pode ser comparada a um vulcão adormecido, que está pronto para explodir a qualquer momento e essa explosão surge da necessidade de quebrar seus próprios tabus, cometer loucuras, porque como ela mesma disse: “Se ser feliz para sempre é aceitar com resignação católica o pão nosso de cada dia e sentir-se imune a todas as tentações, então é deste paraíso que quero fugir”.

Com o decorrer das sessões de análise, Mercedes descobre-se falível. Segundo ela, a sua cabeça é como um guarda que não permite que ela estacione em lugar algum. Ela fica dando voltas em seu cérebro e quando encontra uma vaga para ocupar, o guarda diz: circulando, circulando.

Dei boas risadas lendo esse livro e separei mais alguns trechos interessantes:

“Eu não tenho medo de perder o senso. Eu tenho medo é desta eterna vigilância interior, tenho medo do que me impede de falhar”.

“Não me sinto disputando ninguém, não me sinto insegura, confio mais na paz que ele me dá doque numa imaginação que só quer me infernizar”.

“Suporto tudo nessa vida, menos as fases transitórias, aquelas onde já abandonamos o lugar em que estávamos mas ainda não chegamos onde queremos”.

“Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos”.

“A liberdade é atraente quando existe como promessa, mas enlouquece quando se cumpre”.

“Não gosto de nada que é raso, de água pela canela. Ou mergulho até encontrar o reino de Atlântida, ou fico à margem, espiando de fora”.

“Não gosto da vida em banho-maria, gosto de fogo, pimenta, alho, ervas…”

“Sabemos quem somos e o que sentimos, mas não sabemos até quando”.

É isso, Mercedes mergulhou fundo em si mesma, respondeu sim, não, e agüentou as conseqüências.

(Roberta Dias)