dezembro 16 2010

Delírio

Outra noite inteira sem dormir,
Cabeça a ponto de explodir,
Olhos doloridos, em chamas,
Nenhuma leitura ou desenhos,

A inquietação afeta a saúde,
Míngua o corpo,
Cansa a mente,
Isso precisa passar…

De olhos fechados vejo casas diferentes,
Portas e janelas de madeira escura ou pintadas de branco,
Tão bonitas! Não existem muros na frente, somente grama verde…

E uma rua curta com leve curva,
Leva-me em direção ao que parece um posto,
Com tarja de cor vermelha e fontes brancas…

(Roberta Dias)

agosto 13 2010

O amor é para os fortes – Marcelo Cezar

Quem nunca ouviu falar da fulana, que ama cicrano, que ama beltrana, que ama o Zé da esquina, que ama fulana ou que não ama ninguém?

Os “desencontros”, assim como os ”encontros”, fazem parte da vida e do processo evolutivo. Quem, em algum momento da vida, já não deu asas a imaginação, sofreu, chorou, suspirou ou sentiu o corpo arder como se estivesse em chamas só por lembrar, pensar numa determinada pessoa? Quem nunca se apaixonou ou acreditou estar apaixonado por alguém? Quem nunca idealizou como deveria ser o par perfeito?

A idéia de perfeição, quase sempre presente dentro de nós, tanto pode impulsionar rumo ao progresso, como a derrota e ao sentimento de frustração, de infelicidade, porque torna o indivíduo exigente demais consigo mesmo e com os outros.

Quando a pessoa é exigente demais, corre o risco de não conseguir concluir as coisas que faz e de se sentir sempre infeliz, porque simplesmente nunca está satisfeita com nada e nem com ninguém.

O livro fala justamente sobre as ilusões que as pessoas criam e alimentam em suas mentes, em buscas incessantes pela “relação perfeita”.

Segundo o autor, não existe relação perfeita. O que existe é a “relação possível”, aquela em que a alma decifra os segredos do coração, através das experiências vividas, tornando o amor apenas para os fortes.

junho 21 2010

Alexandria

Você é o que você ouve
Ouvir você é mergulhar
Numa piscina de vidro
Com o corpo em chamas

Você não é o que me diz
Não se mova até eu chegar
Um mergulho desesperado é uma chance de encontrar no ar
A solucão para o passado que se recusa a nos deixar

Você é o que você vê
Viu meus olhos e desistiu
De me fazer do seu jeito
De outro jeito não serviu

Você é o que você sente
Eu fiz questão de te marcar
E os muros da cidade gritavam pra eu parar de dançar
Não adianta abrir as portas do céu e plantar armadilhas

Não sou o que você pediu,
Mas posso tentar.
Não sou o que você pensou,
Mas posso tentar

Você é uma escolha
Eu te pedi pra não escolher
Entre nós e os meus discos de rock
E os livros que vamos ler

Você é o que você perde
Me perdi e você se foi
Já faz tanto tempo e eu tentado não me acabar
Em velhas novas mensagens
Que nunca vão chegar

Não sou o que você pediu,
Mas posso tentar.
Não sou o que você pensou
Mas quero tentar.

(Flávio Petit)