maio 28 2014

Dor familiar

Que dor é esta que adormece,
E momentaneamente suaviza,
Mas retorna a cada lembrança,
De promessas não cumpridas,

Movimentando a água parada,
Tornando-a turva, suja, impura,
Como esgoto armazenado,
Carente de periódica limpeza,

Para não transbordar em ódio,
Ou amargura no coração já mutilado,
Descrente das palavras de seu tutor,

Temporário e passível de erros,
Que a sua maneira fez o melhor que pode,
E apesar do constante sofrimento lhe sou grata.

(Roberta Dias)

dezembro 6 2010

Ingratidão…

Não…
O cérebro rejeita essa palavra,
Faz o Homem esquecer em fração de segundos,
Todas as mãos que um dia lhe foram estendidas,

As ajudas que recebeu,
As oportunidades de se reorganizar,
Aprender a viver dentro de suas posses,
Se reerguer na vida,

E ao insistir nos mesmos erros,
Coloca a corda no pescoço, se amargura,
Transforma amor em falta de estímulo, revolta…

Assim age o cérebro Humano, imaturo,
Egoísta e ingrato, porque é mais fácil jogar a culpa no outro,
A repensar os próprios atos e rever seus conceitos.

(Roberta Dias)

maio 2 2010

Distrai, meu coração, tua amargura…

Distrai, meu coração, tua amargura,
Os males que te assanha a fantasia:
Provém da formosura essa agonia?
Seja o seu lenitivo a formosura:

Por mil objetos adoçar procura
O ardor, que lavra em ti de dia em dia;
Mas ó fatal poder da simpatia!
Ó moléstia d’amor, que não tem cura!

Astúcia exercitar que te resista,
Minha Anália, meu bem, debalde intento,
Está segura em mim tua conquista.

Como hei de minorar-te o vencimento,
Coartar o império teu, se as mais à vista
Valem menos que tu no [email protected]

(Os Amores – Poemas Escolhidos – Bocage)