dezembro 8 2010

Beijada por um anjo – Mary Claire Helldorfer – pseudônimo Elizabeth Chandler

O livro conta o triste romance entre Ivy Lyons, uma jovem que acreditava em “Anjos” e Tristan Carruthers, o nadador mais bonito, honesto e popular de toda escola, que desde o primeiro dia em que viu Ivy se apaixonou por ela.

Ao contrário da maioria dos alunos, Tristan precisava trabalhar para financiar as viagens que fazia durante as competições. Além de ser o mais bonito, ele também era o melhor entre todos os nadadores, popularmente chamado de “demolidor”.

Demorou um tempo até que Tristan e Ivy dessem início ao namoro. Ele adorava a sensação que sentia quando estava dentro d’água. Já ela desde criança sentia verdadeiro pavor, após ter sido atirada a força dentro da piscina por um dos inúmeros namorados que sua mãe teve e já estava quase se afogando, quando foi resgatada pelo “Anjo das Águas” e desde então passou a crer e conversar com os Anjos.

A vida de Ivy e Philip sofreu grandes mudanças desde que sua mãe se casara com o homem mais rico e poderoso da cidade. Sua mãe era uma simples cabeleireira de salão, que pelo o que entendi, costumava atender a esposa do amante de longos anos, mas quando ele se divorciou de Caroline, imediatamente marcou seu novo casamento. Proporcionando aos jovens uma nova vida, com mais conforto, um meio irmão de caráter duvidoso e uma tremenda confusão gerada com o suicídio da ex-esposa, que nunca superara o golpe.

Tristan ensinou Ivy a nadar e a superar seu maior medo. Embora ele não acreditasse em Anjos, se entendiam muito bem, viviam um amor pleno, além de ele ser amigo e companheiro de Philip, irmão mais novo de Ivy, um menino esperto, engraçado, que aprendeu a acreditar em Anjos com sua irmã e não aceitava o casamento da mãe, menos ainda seu meio irmão.

Ivy nunca havia imaginado que o banco de trás de um carro pudesse ser tão romântico. Ela e Tristan estavam felizes, tinham acabado de se amar e voltaram para a estrada principal com o carro.

Ivy dizia a Tristan que ele não precisava correr tanto porque não estava mais com fome, quando ele perguntou se havia matado sua fome. O carro cheirava as pétalas de rosas esmagadas nas costas de Tristan, que declarou seu amor por Ivy, prometendo que um dia ela acreditaria no que ele estava dizendo.

Porém o destino decidiu o oposto. O carro havia perdido o freio, um cervo surgiu no meio da estrada, do outro lado da pista o que parecia ser um carro e árvores. Tristan viu os olhos do cervo e a luz por trás dele cada vez mais perto quando houve o impacto e Tristan fora de seu corpo, viu seu pai chorar ao olhar seu rosto ensangüentado e ouviu a paramédica dizer que infelizmente ele havia morrido.

Após o acidente, Ivy deixou de acreditar nos Anjos e os culpava por não terem salvo a vida de seu amado.

Durante algum tempo o espírito de Tristan perambulou pelos corredores do hospital e oscilava entre a luz que o mantinha lúcido e a escuridão que vez ou outra o pegava. Ele sabia que havia morrido, mas não compreendia no que havia se tornado. Um Anjo temporário...

Precisava voltar a falar pelo menos mais uma vez com sua amada, mas se ela deixara de acreditar em Anjos como o veria? Tristan permanecia em espírito nesse plano porque precisava cumprir a sua missão, mas antes tereia que descobrir o que seria essa missão.

Diversas vezes me emocionei enquanto lia o livro. Sou uma romântica assumida, só que dessa vez a leitura me causou sofrimento e dor. Li a prévia do livro “A Força do Amor”, livro que dará continuidade a esse. Confesso não sentir vontade de saber o que vai acontecer, mas quem sabe eu não mude de idéia?

Separei alguns trechos que gostei...

“Como rocha reluzente. Sinuosa na mão do escultor, fundida nos dedos do amante...”

“Seu corpo esbelto e longilíneo, faminto e quente...”

“Nadando como um anjo, desejando que suas asas molhadas servissem de aconchego...”

“Brisa do Oeste, quando você vai soprar,
Pode a garoa cair!
Ah, meu Deus, se meu amor estivesse em meus braços
E pudesse em minha cama dormir!”

(Roberta Dias)

julho 20 2009

Giselle a amante do inquisidor – Mônica de Castro

Giselle a amante do inquisidor

O livro relata as crueldades cometidas na Espanha, no período da inquisição.

Esteban fora responsável pelas mais atrozes perseguições contra os considerados hereges, pois acreditava estar lutando em defesa, preservação da verdadeira fé Cristã e por julgar-se juiz da vontade divina. Qualquer um que não seguisse a ideologia católica da época estaria cometendo grave crime, a heresia.

A maioria dos supostos hereges eram pessoas muito ricas, cujos bens eram confiscados pela Santa Igreja e posteriormente igualmente divididos entre os “delatores” e o “clero”.

Giselle enriquecera nessas circunstâncias. Dona de uma beleza exótica e profundo conhecimento de magia tornara-se amante e cúmplice de Esteban ainda moça, após a morte de seu pai.

A jovem atraia facilmente o desejo e cobiça dos homens dançando em sua taberna. Seduzia os suspeitos indicados por Esteban e conseguia as informações necessárias para a instauração dos processos sobre os lençóis macios de sua cama.

Embora o cardeal representasse o Santo Ofício, mantinha seu caso amoroso, fazia vistas grossas para o envolvimento da amante com a magia e não se incomodava se ela fosse para cama com outros homens e até mulheres, desde que servissem aos seus propósitos. Orgulhava-se ao ver a cobiça dos outros na mulher que lhe pertencia.

Suspeitando da origem moura da noiva de dom Fernão, Giselle foi incumbida de investigá-lo.

Lucena, filha de dom Fernão, entregara-se ao noivo antes do casamento, segura de não ter feito nada de errado já que estavam com o casamento marcado.

Ramon, pelo acaso do destino deparou-se com o sogro na calada da noite em ato suspeito. Curioso para saber do que se tratava chegou à taberna “A Dama da noite” para observar. Lá Ramon conheceu e encantou-se por Giselle, cujas almas já se amavam de outras vidas, sem que nunca pudessem viver esse amor em sua plenitude, uma vez que ou eram ambos do sexo masculino ou ambos do sexo feminino e com isso a relação sexual era tida como proibida para os padrões da época, sendo obrigados a viver um amor platônico ou cheio de remorso, mas agora finalmente suas almas encontraram-se com sexos opostos e então viram-se livres para ter uma relação plena e sem pudores.

Devido à denúncia feita por Giselle, dom Fernão foi condenado, sofreu diversos tipos de torturas e morreu aos poucos trancado na “Virgem de Nuremberg”, uma espécie de sarcófago, cujo interior era repleto de lâminas que perfuravam partes não vitais do seu corpo, levando-o à morte lenta por hemorragia e infecção.

Dom Fernão desencarnou mergulhado no ódio. Sua filha também tomada pelo ódio aliou-se a Miguez, um padre que não suportava Giselle mesmo sem entender a razão de seu terrível sentimento.

Padre Miguez e Lucena seguiram firmes em seus planos de vingança com o auxílio do espírito amargo de dom Fernão, com o intuito de levar Giselle a julgamento.

Este livro começa pelo fim, causa febre interior e ensina que a prestação de contas dos atos cometidos é sempre inevitável. Excelente!

(Roberta Dias)