março 13 2019

O Galo Corococó

Em uma pequena aldeia, o Galo Corococó todos os dias despertava a população às quatro da manhã.

Eles levantavam sonolentos, cansados e reclamando por não poderem dormir até mais tarde, mas a cidade funcionava e era próspera.

Um belo dia Corococó entrou em depressão, passou a ter insônia e danou a acordar o povo às duas da madrugada, causando revolta e ódio em alguns. O prefeito da decadente aldeia vizinha, bobo nem nada ofereceu uma troca entre seu burro “sortudo” e o galo. Motivados pela ideia de uma vida de ventura sem esforços eles votaram e decidiram pela troca.

No dia seguinte todos dormiram até tarde e nos demais dias a mesma coisa, a vida passou a ser dormir e fazer festas, ninguém mais trabalhava num horário certo, não produziam direito e aos poucos foram ficando reféns dos moradores vizinhos que iam lá oferecer serviço.

Quando a população se deu conta, a cidade estava acabada. Um grupo decidiu ir buscar o galo, mas ele já não estava disposto a voltar, lá ele era bem tratado, amado, respeitado e valorizado como um rei.

Assim o grupo retornou e logo procurou por seu prefeito que estava de partida da aldeia. Na estação de trem lhe entregaram uma caixa de papelão com furinhos e quando ele abriu deu de cara com um galinho. Com o olhar enternecido o prefeito disse: óh, ele tem os olhos do pai!

Um ano se passou, o pequenino galo cresceu cercado de carinho e religiosamente cantava às quatro horas da manhã. A população aprendeu a acordar cedo, trabalhar, festejar, viver com alegria e a cidade voltou a prosperar.

Esse filme é uma animação. Foi dirigido por Pierre Greco, recebeu o prêmio Golden Butterfly for Best Animated Feature Film – International Competition e ele ensina a importância de se ter disciplina, organização e respeito para podermos aproveitar de um tudo e a mensagem mais importante que ficou pra mim foi que tudo depende de como vemos o galo e prefiro ver o meu como algo positivo em minha vida.

(Roberta Dias)

maio 22 2014

Estilhaça-me – Tahereh Mafi

 

O romance Estilhaça-me, de Tahereh Mafi, publicado pela Editora Novo Conceito, tradução de Robson Falchetti, é o primeiro da autora, considerado sedutor por Lauren Kate do The New York Times e, conta a trajetória dolorosa de uma menina por ter nascido com um dom.

Ainda pequenina fora trancada em seu quarto por seus pais, pelo medo que sentiam dela e pela ideia de terem gerado um monstro.

Rejeitada pelos próprios pais e pela sociedade Juliette fora trancafiada e largada á própria sorte em um manicômio como se fosse louca. Um quadrado de concreto frio, úmido, sem iluminação, apenas uma porta de ferro e uma janela pequena demais de vidro por onde passava a claridade do sol e da lua.

Juliette sempre dizendo a si mesma “eu não sou louca”, vivia em seu mundo particular. Aprendeu sozinha como sobreviver às maldades em que era submetida naquele lugar, e apesar da fragilidade de seu corpo já magro, das dores que sentia em seus ossos e de sua mente torturada com a ideia de ser realmente uma aberração monstruosa.

Aos dezessete anos avisaram-na que ela teria um companheiro de cela e ao ver que se tratava de um rapaz temeu ainda mais por sua vida. A presença daquele rapaz criou um conflito dentro de seu ser porque mesmo apavorada havia algo que lhe dará a certeza de já conhecê-lo e, conhecia mesmo, ele fora seu coleguinha de escola, o único que a olhava como ser humano.

Era boa a sensação de ter alguém com quem conversar mesmo com o pavor de ser uma armadilha para mata-la, mas nem por isso a jovem deixou de orientá-lo e ajuda-lo para que ele não sofresse com as mesmas situações que ela enfrentou lá dentro. Adam que ao chegar a tratou de forma grosseira, mas não ficou insensível ao gesto dela para com ele.

E assim duas semanas se passaram quando ambos ouviram as duas batidas na porta e uma voz dizendo-lhes para que saíssem porque seriam transferidos para outro local, que na verdade era um quartel altamente vigiado.

Ao sair Juliette surpreendeu-se com o que havia restado de seu antigo mundo devastado pelos mesmos homens que garantiram reestabelecer a ordem e a normalidade, o que se provou ser uma mentira, já que estavam dominados apenas pelo desejo de destruição e poder.

No quartel a jovem conheceu Warner, viu muitos soldados leais sob seu comando, quando tomou ciência de que Adam havia sido colocado propositalmente em sua cela e, mesmo sentindo-se traída por ele, algo a impedia de sentir raiva dele.

Adam foi designado para vigiar Juliette e não demorou muito para que ela se desse conta de que ele não era um traidor, mas sim seu aliado por algo muito maior que os dominava, o amor que um sentia pelo outro.

Warner estava fascinado pelo dom de Juliette, especialmente pelo poder que teria tendo-a como aliada, porém a jovem não desejava machucar as pessoas, mas precisou jogar segundo as regras para ganhar tempo até arrumar uma forma de fugir.

Inesperadamente surge a oportunidade de fuga, não era bem o planejado, mas Adam e Juliette escaparam e se esconderam na casa que Adam construiu, mas ambos sabiam que muito em breve teriam de partir, mas imensa fora a alegria de Adam ao rever seu irmão James de dez anos de idade, mais um sobrevivente órfão por culpa do sistema.

Completamente cansados eles dormem e pela manhã se assustam com as batidas na porta. Juliette congela de medo imaginando ser Warner atrás deles, mas era Kenji, um soldado que por ser amigo de Adam foi torturado para revelar o paradeiro deles, contudo conseguiu fugir. Apesar da desconfiança de ser uma emboscada Adam cuidou dos ferimentos de Kenji, quando os soldados invadiram as ruas e na tentativa de fuga Adam se feriu gravemente.

Com uma força interior extraordinária Juliette escapa de Warner e segue em busca de Adam. Quando o encontra ambos rezam para que Kenji e James estivessem no local combinado. Sem opção eles decidem crer que Kenji realmente tem um local onde possam se esconder em segurança e ele não mentiu quanto a isso.

Assim que eles chegaram Adam imediatamente fora levado numa maca para a área médica. Juliette ainda desconfiada inutilmente pergunta sobre seus amigos, mas também recebia tratamento para o corpo e para alma revigorando suas energias, enquanto James estava sendo muito bem assistido pelos que ali residiam.

Após alguns dias Juliette teve a oportunidade de conhecer um pouco mais o local. Conversou com as pessoas, com o responsável por tudo aquilo, tomou conhecimento que lá a maior parte das pessoas tinha algum tipo de dom assim como ela e que permaneciam lá para aprenderem a lidar e controlar estes dons, usando-os em benefício de um bem coletivo.

Finalmente Juliette compreendeu que não era uma aberração e se tranquilizou ao ver seu amado Adam completamente recuperado de suas lesões, o pequeno James alegre, Kenji como sempre brincalhão, protegidos e se preparando para a batalha contra a ganância pelo poder que ainda estava lá fora a procura de Juliette, exterminando pessoas inocentes e os recursos naturais do planeta.

Quando segurei este livro nas mãos vi que se tratava de um romance e, como nunca escondi de ninguém eu realmente aprecio ler romances, mas o que mais achei curioso foi às frases da capa:

Tenho uma maldição.
Tenho um dom.

Sou um monstro.
Sou sobre-humana.

Meu toque é letal.
Meu toque é poder.

Sou a arma deles.
Lutarei contra eles.

Imediatamente o separei e comprei. A parte do romance deixo a cargo de vocês caso se interessem e desejem ler o livro como fiz e, tirando suas próprias conclusões, até mesmo retornando aqui para trocarmos ideias.

(Roberta Dias)

outubro 24 2013

Diante dos pais

É espantoso observar a desenvoltura e inteligência das crianças nos dias de hoje. No meu tempo de menina, talvez por conviver mais com adultos, amadureci cedo, principalmente através do amor, auxílio, orientação e vigilância constante dos meus pais.

Meu pai costumava repetir muitas vezes: filha, jamais se misture com pessoas de nível econômico, social e cultural muito abaixo do seu, porque a grande maioria delas vai tentar arrastá-la para a mesma condição em que vivem, e como os filhos são moldados de acordo com os exemplos de seus pais, assim como do universo a sua volta, cresci seguindo a orientação de meu pai.

Já a minha mãe, muito diferente dele me ensinou que somos todos irmãos e filhos de Deus independente de classe social, religiosa, financeira ou cultural.

Quantas vezes ela tirou de si mesma para doar aos mais necessitados? Jamais sentiu pena ou se arrependeu de seus atos. Íntegra, fiel ao seu marido e mãe dedicada, sempre esbanjando simplicidade, elegância, alegria e fé, por mais difíceis que as coisas estivessem.

É lógico que sinto saudades de sua presença carnal, mas em mim ela permanece mais viva do que nunca e vai sempre ser insubstituível.

O que me surpreende hoje é ver meu pai descendo os degraus, se deixando arrastar para baixo e fazendo exatamente o oposto do que me ensinou a vida inteira, o que não faz muito sentido para mim já que com quase 72 anos de idade sua bagagem e experiência de vida teoricamente deveria ser ainda maior.

Tenho ciência de que não devo e nem posso escolher por ele, afinal ele é dono de suas escolhas e é ele mesmo quem irá responder por cada uma delas. A mim cabe apenas pedir a Deus que olhe por ele e respeitar seu livre arbítrio, e da mesma forma ele deve respeitar o meu em não querer compactuar com o que discordo. O máximo que posso fazer é continuar rezando a cartilha de minha amada mãe, onde aprendi a ser e agir como gente, sempre educada, propiciando um convívio pelo menos respeitoso, isto porque amo verdadeiramente o pai que Deus me presenteou ao vir ao mundo, que preencheu e zelou completamente por seu papel, jamais deixando em mim nenhum tipo de vazio, por isso disse e repito: meus pais são aqueles que me criaram e me deram amor. Aos biológicos que me geraram deixo meu respeito, mas não era para eu crescer em meio deles e a Deus meu eterno agradecimento por dar minha tutela a um pai e a uma mãe tão especiais.

Pai divergimos em nossa forma de pensar, ver e viver a vida, mas jamais se esqueça, depois de DEUS e de teus pais, ninguém irá amá-lo e querer o teu bem mais do que a Paula e a Roberta.

(Roberta Dias)

dezembro 20 2010

Respirando Livremente

Antes do amanhecer,
Tudo andava tão escuro,
Mas assim que os olhos se abriram,
O brilho do sol, lindo e divino,

Inundou o peito de esperança,
Reabasteceu o tanque seco,
Com sorrisos e sentimentos alegres,
Energias boas e leves,

Que gostosura!
Adeus pesadelos,
Adeus noites de insônia,

Que delícia dormir a noite inteira!
Sonhar e não se lembrar de nada ao acordar,
Manter o coração aberto,

Não se pode mudar o que passou,
Mas é possível reescrever um novo final,
Amando cada vez mais sem restrições e sem mágoas…

(Roberta Dias)

junho 29 2010

Reconhecer…

Saber ver as coisas do jeito que são. Parece fácil? Nem sempre. Há dentro de nós uma força imensa dificultando nossa visão.

Observando como ela surge dentro de mim, mascarando atitudes, vestindo-se com os mais diferentes papéis, esforçando-se para encobrir a realidade, me pergunto por quê e para quê.

Assombra-me por vezes constatar que, apesar de minha perspicácia tão aguda em certos momentos e para determinadas coisas, eu seja capaz de ser tão ludibriado e tão fragorosamente enganado em outras, não as enxergando senão através da ótica viciada de minhas ilusões.

Se por um lado pode parecer decepcionante, por outro convida a pensar com mais calma e a ser mais humilde, pois exatamente no momento em que nos julgamos aptos, quando percebemos um pouco mais de nossa realidade interior, exatamente quando acreditamos ter amadurecido por termos conseguido compreender melhor a vida, as coisas e a nós mesmos, é que, subitamente, deparamos com aspectos novos de nossa realidade interior, inesperados e até a pouco ignorados, escondidos ferozmente pela ilusão.

Reconhecer a própria alma significa assumir seu lugar, crescer, ser consciente, passar de observador a cooperador, de cego tatear nas trevas a caminhada clara e definida no rumo certo.

Se reconhecer o que somos nos leva a tudo isso, que força é essa que nos oprime e desvia, que estabelece condições passageiras, que desfigura os fatos e os traveste de receios?

Perguntas que tenho feito…

Penso, de vez em quando, em como seria bom se eu pudesse livrar-me delas para sempre e pensando nisso, comecei a observar com atenção os pensamentos que iam pela minha cabeça.

Ver as coisas como são, significa ser falível em certos casos, é não ter habilidade para certas coisas, ou então possuir alguma tendência…

Perceber que você não é tão honesto como supunha, que no fundo ainda desejaria “ganhar” dos outros, seja lá o que for, é demais para qualquer um, afinal ser honesto é o grande mito de todos nós. Enchemos a boca para falar em honestidade e todos sabemos explicar muito bem o que seja essa qualidade, mas quem de nós admitiria não a possuir integralmente?

Pois é, a vida nos coloca em circunstâncias tais que de repente descobrimos nossa desonestidade, nosso constante iludir, criando pensamentos obstruidores, impedindo-nos de ver como somos.

Mas uma coisa eu sei, não há nada melhor que a verdade. Quanto mais verdade, mais progresso; quanto mais progresso, mais felicidade; quanto mais felicidade, mais alegria e luz.

(Silveira Sampaio)