outubro 7 2010

Neurastenia – Florbela Espanca

Sinto hoje a alma cheia de tristeza!
Um sino dobra em mim Ave-Marias!
Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias,
Faz na vidraça renda de Veneza…

O vento desgrenhado chora e reza
Por alma dos que estão nas agonias!
E flocos de neve, aves brancas, frias,
Batem as asas pela Natureza…

Chuva… tenho tristeza! Mas por quê?
Vento… tenho saudades! Mas de quê?
Ó neve que destino triste o nosso!

Ó chuva! Ó vento! Ó neve! Que tortura!
Gritem ao mundo inteiro esta amargura,
Diagam isto que sinto que eu não posso!!..

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Publicado 10/07/2010 por Roberta na categoria "..:: Sonetos e Poesias ::..

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