julho 3 2009

Divã – Martha Medeiros

Diva - Martha Medeiros

O livro conta à história de uma mulher com seus quarenta e poucos anos, casada e com três filhos.

Mercedes decide fazer análise e durante as freqüentes sessões com Lopes, ela narra toda a sua
vida desde a infância.

Seguiu todas as fases, brincou de boneca, teve medo do escuro, ficou nervosa com o seu primeiro beijo, bateu a cabeça no teto do carro enquanto trocava uns “amassos”, mas suas idéias estão longe de ser cor-de-rosa e isso a difere das demais mulheres.

Forte, prática, decidida, fogosa, engraçada, teimosa e autoritária, Mercedes não considera-se vítima de ninguém, sabe que é várias mulheres em uma só e precisa se autoconhecer.

Na verdade, Mercedes pode ser comparada a um vulcão adormecido, que está pronto para explodir a qualquer momento e essa explosão surge da necessidade de quebrar seus próprios tabus, cometer loucuras, porque como ela mesma disse: “Se ser feliz para sempre é aceitar com resignação católica o pão nosso de cada dia e sentir-se imune a todas as tentações, então é deste paraíso que quero fugir”.

Com o decorrer das sessões de análise, Mercedes descobre-se falível. Segundo ela, a sua cabeça é como um guarda que não permite que ela estacione em lugar algum. Ela fica dando voltas em seu cérebro e quando encontra uma vaga para ocupar, o guarda diz: circulando, circulando.

Dei boas risadas lendo esse livro e separei mais alguns trechos interessantes:

“Eu não tenho medo de perder o senso. Eu tenho medo é desta eterna vigilância interior, tenho medo do que me impede de falhar”.

“Não me sinto disputando ninguém, não me sinto insegura, confio mais na paz que ele me dá doque numa imaginação que só quer me infernizar”.

“Suporto tudo nessa vida, menos as fases transitórias, aquelas onde já abandonamos o lugar em que estávamos mas ainda não chegamos onde queremos”.

“Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos”.

“A liberdade é atraente quando existe como promessa, mas enlouquece quando se cumpre”.

“Não gosto de nada que é raso, de água pela canela. Ou mergulho até encontrar o reino de Atlântida, ou fico à margem, espiando de fora”.

“Não gosto da vida em banho-maria, gosto de fogo, pimenta, alho, ervas…”

“Sabemos quem somos e o que sentimos, mas não sabemos até quando”.

É isso, Mercedes mergulhou fundo em si mesma, respondeu sim, não, e agüentou as conseqüências.

(Roberta Dias)

julho 2 2009

Sonhos…

Sonhos - Devaneio de Roberta Dias

Invadem minhas noites de sono sem pedir licença. Intrusos dos quais não tenho controle, causam sensações diversas e que ao acordar recordo ou não.

Quase sempre fora da realidade, mas “tão reais”, meus sonhos acontecem em lugares que conheço, mas que nunca estive antes, com pessoas estranhas ou conhecidas, que aparecem e desaparecem como num passe de mágica, assim também é a troca de cenários.

Todas às vezes que o sonho é bom e que acordo, tento dormir novamente para tentar continuar de onde parei, mas é impressionante como o que é bom dura pouco mesmo, até nos sonhos!

Já os pesadelos, ah, esses transformam breves segundos de sono em longas horas de martírio e desespero.

A dor, apesar de ser um sonho, é muito real e sinto no corpo as conseqüências. Mesmo depois de acordada fico com medo. Nos minutos seguintes sinto receio de fechar os olhos e dar continuidade ao sofrimento.Sonhos, talvez sejam flashs de tudo o que vi e vivi, de tudo aquilo que desejo ou não para mim, dos meus medos, não sei ao certo, também podem não ser nada disso.

(Roberta Dias)

julho 2 2009

Sentindo na própria pele – Mônica de Castro

Sentindo na propria pele

O livro que retrata os tempos difíceis da escravidão no Brasil. Negros capturados e escravizados em um pequeno povoado angolano por tribos rivais, tornando-se serviçais de seus senhores negros, objetos a serem vendidos ou trocados por um punhado de fumo e de cachaça com os brancos.

Assim começa a historia de Mudima, “folha do limoeiro”. Aos 9 anos de idade fora arrancada de sua África amada, cruzando o oceano e trazida ao Rio de Janeiro, num porão fétido de um navio negreiro.

Mudima foi dada como presente de aniversário a pequena sinhazinha Aline, apenas um ano mais velha que ela e a partir daí passou a chamar-se Tonha, em homenagem à falecida cadelinha de sua sinhazinha, que morrera debaixo das patas de uma égua.

Com o passar do tempo, Aline tornara-se amiga de Tonha. Amigas inseparáveis, Aline, mesmo sem compreender sentia enorme carinho por Tonha, sendo capaz de dar sua vida para salvá-la.

Anos depois, em meio ao medo, ódio e inveja, as moças descobriram o “amor”. Aline com o jovem Cirilo e Tonha com Inácio, um médico recém formado, branco e de lindos olhos azuis.

O sofrimento sempre nos leva a questionamentos, então destaquei um trecho do livro para reflexão:

“O coração guarda ressentimentos que sobrevivem por séculos, e como não conseguimos enxergar que somos nós mesmos que provocamos o mal de que somos vítimas, costumamos nos vingar de nossos semelhantes”.

Esse livro é simplesmente lindo! Valeu cada sorriso ou lágrima derramada por mim.

Tonha, morreu aos 97 anos de idade, libertando-se assim do medo e das lágrimas, podendo então seguir a verdadeira vida de amor, luz e paz.

(Roberta Dias)

julho 1 2009

Brincando com papel

Avião Biplano
Avião Biplano

Aprendemos a lidar com o papel desde cedo. Alguns fazem isso em casa rasgando ou amassando o que não se deve ou o que já não tem serventia e só ocupa espaço, uns na escola durante as aulas de arte e outros em áreas mais específicas.

Lembro ter feito coisas bem interessantes nas aulas de direção de arte quando fiz o curso técnico em publicidade como, por exemplo, embalagens de produtos fictícios, maquetes, etc.

É bem verdade que optei seguir uma outra área, mas não deixo de reservar tempo para as brincadeiras e renovar conhecimentos adquiridos noutrora.

Antigamente mexer com papel, tesoura e cola, era basicamente brincar de recortar e colar. Hoje, com o termo evoluído e mais pomposo, passou a ser Arte em papel.

A imagem a seguir mostra o resultado gostoso dessa “Arte em papel”. Para mim um passatempo e tanto, para outros certamente uma fonte de renda.

(Roberta Dias)

julho 1 2009

O beijo das sombras – Richelle Mead

Quando criança, costumava sonhar com morcegos, dráculas e acordava aterrorizada.

Os sonhos vez ou outra repetiam-se e com isso, cresci preferindo não assistir filmes ou mesmo falar sobre coisas do gênero.

Após adulta, é a primeira vez que permito-me fazer parte de tal mundo fantasioso através da leitura do romance “O beijo das sombras”, de Richelle Mead.

O livro descreve a saga dos Moroi, vampiros vivos e pertencentes a realeza vampiresca, dos dampiros, oriundos da combinação entre os Moroi com humanos, exercendo a função de Guardiões dos Moroi, dispostos a lutar, dando suas vidas por eles e dos assombrosos Strigoi, vampiros mortos vivos que matam, alimentam-se do sangue dos nobres Moroi com o intuito de obter força e imortalidade.

É impossível não sensibilizar-se com a amizade sincera de Lissa e Rose, não mergulhar nos romances entre Lissa e Christian, mas principalmente no amor tórrido entre Rose e Dimitri.

É possível invadir as páginas do livro, sentir a emoção, imaginar todas as cenas e enroscar-se na teia das tramas alí descritas, provando que ter sido “beijada pelas sombras” não era algo tão simples quanto parecia. Gostei do livro!

(Roberta Dias)