julho 6 2009

Fechando a Janela

A insessante busca talvez importune e aborreça,
Dar-se a conhecer qual se é,
Sem dúvida é uma tarefa espinhosa,
Complicada e de certo para poucos.

Já diziam os antigos,
A mente e o coração dos outros,
É sempre terra onde ninguém pisa,
Nem com amizade,

Ternura, astúcia, ligeireza e sagacidade é possível prever.
O que insiste em se manter tapado e dirfarçado,
Precisa ser colocado em esquecimento, ser desprezado,

Sair da memória aos poucos até não ser mais lembrado,
Tal qual uma foto que com o tempo desbota-se tanto que não [se pode identificar a imagem],
Perder a lembrança é fechar as janelas, é a morte em vida, [é o verdadeiro estado do que é triste].

(Roberta Dias)

julho 5 2009

Violetas na Janela – Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Violetas na Janela

O livro conta à história de sua doce sobrinha Patrícia. Linda moça loura, de cabelos cacheados e compridos, olhos azuis feito pedaço do céu, pura, alegre, estudiosa e inteligente.

Com sua alma delicada e simplicidade, Patrícia encantara a todos e fez da Doutrina Espírita uma meta de vida, assim como seus pais.

Patrícia desencarnou aos 19 anos, após uma veia romper em seu cérebro. Seus pais embora sentissem a dor da saudade e da perda física de sua filha amada, não entregaram-se ao desespero e ao pensar e lembrar dela enchiam-se de carinho, ternura e resignação, emanando energias de verdadeiro amor e paz, fazendo com que a filha se sentisse protegida, amparada e apta a seguir em frente no plano espiritual.

A mãe de Patrícia cultivava lindas violetas que enfeitavam os vitrôs de sua casa e com a constante saudade vinda do amor não satisfeito pela ausência da filha querida, Anézia emanava seu amor, uma oferta contínua, fluídos que condensados, presenteavam Patrícia com maravilhosas violetas iguais as que sua doce mãe cultivava em casa.

Com tanto amor, Patrícia sentia-se fortalecida e contente. Segundo ela, “Amor de mãe é como um farol a iluminar seus entes queridos e a perfumar suas existências”.

Fiquei emocionada demais com as palavras escritas neste livro. Chorei muito e também sorri. Simplesmente lindo!

Como boas palavras sempre fazem bem, destaquei alguns trechos:

“A vontade está no desejo e devemos educar nossa vontade”.

“Devemos compreender sem ilusão o que realmente somos, e não o que pensamos ser”.

“Ninguém socorre um náufrago sem sofrer o chicote das ondas”.

“Pai, alimenta a minha vontade de aprender e de ser útil”.

Além de “Violetas na Janela”, três outros livros foram ditados por Patrícia: “Vivendo no mundo dos Espíritos”, “A casa do Escritor” e “O vôo da Gaivota”.

Esses três últimos ainda não li, mas quando meu coração for tocado e eu estiver pronta, nem antes e nem depois, vou ler e assim poderei escrever e contar algo sobre eles.

(Roberta Dias)

julho 5 2009

Casa de Boneca

Casa de Boneca feita por Roberta Dias

A casinha é composta de sala, quarto, cozinha, banheiro, área de serviço com tanque, varal para roupas e um pequeno jardim na frente e na lateral.

Foi toda feita em papelão e para construir os móveis e demais objetos da casa utilizei isopor, tampas de refrigerante, caixinhas de remédio vazias, enfeitinhos, flores artificiais, palito de pirulito, papel higiênico, plástico transparente liso, plástico tipo rendado, cortiça, guardanapos decorados, papel crepom dourado, tecido, miçangas, espelho, arame fino e muito mais.

No processo de montagem usei durex, papel toalha, cola branca, cola quente, tinta para artesanato à base de água e verniz geral para dar o acabamento.

Como foi a minha primeira casinha, fiz bem devagar, com calma, curtindo cada detalhe e depois de pronta dei de presente para a minha afilhada.

Foi uma distração e tanto. Recomendo!

(Roberta Dias)

julho 3 2009

Minha Linha

Toca o telefone…

— Alô!
Do outro lado, um silêncio…
Em seguida um tum, tum, tum.
— Ah, foi engano.
Toca o telefone…
— Alô, ooi, alôzinho!
Em seguida um tum, tum, tum.
— Aí digo a mim mesma: estão me zuando!
Toca o telefone…
— Alô,
Alô, gostaria de falar com a Maria.
— Não há ninguém com esse nome senhora.
Desculpa então.
— Por nada.
Toca o telefone…
— Alô,
Bom dia ou boa tarde, é da loja não sei das quantas?
— Não senhor, esse telefone é residencial.
É, mas o número é xxxx-xxxx?
— É sim senhor, mas como disse anteriormente essa linha é residencial.
Mas é que está na lista amarela, minha filha.
— Lamento informar, mas o senhor precisa de uma lista atual.

E isso se repete “N” vezes ao longo do dia.
Toca o telefone…
Turum, tururum, tururum…
Pronto, lá vem chamada a cobrar.
Puff… desligo!

(Roberta Dias)

julho 3 2009

Divã – Martha Medeiros

Diva - Martha Medeiros

O livro conta à história de uma mulher com seus quarenta e poucos anos, casada e com três filhos.

Mercedes decide fazer análise e durante as freqüentes sessões com Lopes, ela narra toda a sua
vida desde a infância.

Seguiu todas as fases, brincou de boneca, teve medo do escuro, ficou nervosa com o seu primeiro beijo, bateu a cabeça no teto do carro enquanto trocava uns “amassos”, mas suas idéias estão longe de ser cor-de-rosa e isso a difere das demais mulheres.

Forte, prática, decidida, fogosa, engraçada, teimosa e autoritária, Mercedes não considera-se vítima de ninguém, sabe que é várias mulheres em uma só e precisa se autoconhecer.

Na verdade, Mercedes pode ser comparada a um vulcão adormecido, que está pronto para explodir a qualquer momento e essa explosão surge da necessidade de quebrar seus próprios tabus, cometer loucuras, porque como ela mesma disse: “Se ser feliz para sempre é aceitar com resignação católica o pão nosso de cada dia e sentir-se imune a todas as tentações, então é deste paraíso que quero fugir”.

Com o decorrer das sessões de análise, Mercedes descobre-se falível. Segundo ela, a sua cabeça é como um guarda que não permite que ela estacione em lugar algum. Ela fica dando voltas em seu cérebro e quando encontra uma vaga para ocupar, o guarda diz: circulando, circulando.

Dei boas risadas lendo esse livro e separei mais alguns trechos interessantes:

“Eu não tenho medo de perder o senso. Eu tenho medo é desta eterna vigilância interior, tenho medo do que me impede de falhar”.

“Não me sinto disputando ninguém, não me sinto insegura, confio mais na paz que ele me dá doque numa imaginação que só quer me infernizar”.

“Suporto tudo nessa vida, menos as fases transitórias, aquelas onde já abandonamos o lugar em que estávamos mas ainda não chegamos onde queremos”.

“Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos”.

“A liberdade é atraente quando existe como promessa, mas enlouquece quando se cumpre”.

“Não gosto de nada que é raso, de água pela canela. Ou mergulho até encontrar o reino de Atlântida, ou fico à margem, espiando de fora”.

“Não gosto da vida em banho-maria, gosto de fogo, pimenta, alho, ervas…”

“Sabemos quem somos e o que sentimos, mas não sabemos até quando”.

É isso, Mercedes mergulhou fundo em si mesma, respondeu sim, não, e agüentou as conseqüências.

(Roberta Dias)