agosto 8 2009

A visita

Aos cinco anos de idade fomos morar em Guadalupe. Lá conhecemos Ivete, uma senhora muito especial que adotei como Vó Ivete.

Ela morava do outro lado da rua e seu portão era bem em frente ao da nossa casa. Eu era uma garota muito atentada, arteira e vivia me metendo em encrencas. Todas as vezes que eu aprontava alguma arte corria para lá, escalava o basculante da sua cozinha e ia para o telhado de sua casa, afim de que minha mãe não me pegasse.

Minha mãe ia atrás de mim, dizia para eu descer e como não obedecia, dizia que uma hora eu teria que descer e então ela me daria uma coça, mas com medo eu ficava lá em cima na esperança dela cansar. A Vó Ivete dizia para ela não me bater, que era coisa de criança (lembrança grata e saudosa) e quantas vezes, mesmo contrariando minha mãe, pedia para que me deixasse dormir lá.

A verdade é que eu passava grande parte do tempo lá. Costumava brincar com outras crianças, brincava com seus netos, dormia lá e sempre era tratada da mesma forma, como se fosse uma verdadeira neta, o que para mim sempre fora muito normal, mas meu real universo era formado por adultos.

Os anos passaram e nós precisamos nos mudar de lá. A vida de quem mora de aluguel é meio que assim, um tempo aqui, outro ali, até que minha mãe incentivou muito meu pai e ele finalmente criou coragem de partir para um imóvel próprio e lá fomos nós…

Depois de algum tempo, para minha felicidade e surpresa, a Vó Ivete nos avisou que se mudaria para o mesmo bairro onde estávamos morando. Na época estudava perto de sua casa e quase todos os dias ia visitá-la, pois embora ela fosse uma senhora de idade, me sentia feliz e bem ao lado dela. Sempre aprendia coisas novas e ouvia atenta às estórias que me contava sobre sua vida.

Ela era uma pessoa de posses. Casada com o senhor Antônio, um português legítimo e que sempre falava com aquele sotaque carregado e engraçado aos meus ouvidos, costumavam guardar coisas de valor em casa, mas que olhava para eles jamais teria como imaginar, porque eram simples demais.

Apesar de já não ter mais contato com seus netos Claudinho e Gabriela, sempre que podia lá estava eu indo visitá-la e era com muita frequência. Quantas vezes saia do colégio e ia para lá…

Mas alguns anos se passaram e a Vó Ivete faleceu. Essa noite sonhei que ia visitar a minha avozinha de coração. Apesar de a casa ser completamente diferente em meu sonho, fiquei aguardando por ela na ampla varanda, quando a vi chegar num carro bonito com seu filho, pai do Claudinho e da Gabi. Ela estava tão linda!

Assim que ela entrou na varanda pedi sua benção, ela me abençoou e lhe dei um abraço bem gostoso. Depois fiquei olhando-a, admirando-a por alguns instantes… Acordei muito feliz e agradecida a Deus pela honra de poder revê-la, mesmo que em meu sonho.

(Roberta Dias)

Comentários

Comentários


Tags:, , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
Copyright 2017. Todos os direitos reservados.

Publicado 08/08/2009 por Roberta na categoria "..:: Contos ::..

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.