julho 11 2010

Sussurro – Becca Fitzpatrick

Os Anjos são seres espirituais que supomos habitarem o céu. Mas e quando um Anjo se deixa levar pelo desejo de ser um humano?

Segundo — 2 Pedro 2:4 “… Deus não perdoou aos Anjos que pecaram, mas os lançou ao inferno e os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo…”

Nora Grey é uma bela moça, mora com sua mãe em uma antiga casa de fazenda do século XVIII, cheia de correntes de ar e de neblina, afastada do centro de Coldwater, sua casa é a única residência em Hawthorne Lane.

Após o assassinato de seu pai, a jovem passou a sentir como se estivesse sendo observada e seguida. Ela passava a maior parte do tempo em companhia de Dorothea, empregada da casa, e de Vee, sua melhor amiga, já que sua mãe freqüentemente se ausentava por conta de seu trabalho.

Nora e Vee, além de amigas, eram responsáveis por uma coluna no eZine, sentavam juntas durante as aulas e costumavam trabalhar em parceria, até que o McConaughy, técnico do time da escola e professor de biologia, decidiu fazer uma mudança em todas as duplas.

Após a troca, McConaughy seguiu com a aula e a tarefa dos alunos era brincar de detetive. Portanto Nora e Patch deveriam descobrir o máximo que pudessem um do outro.

Curiosamente, Patch sabia muito sobre Nora, o que a deixou assustada e incomodada. A aula chegou ao fim e ela ainda não sabia quase nada sobre ele. Irritada e com receio de ficar sem nota, Nora foi falar com Patch, mas o rapaz apenas pegou sua mão e escreveu o número de seu telefone com uma caneta vermelha.

Nora, sentia que precisava se manter distante dele, mas toda vez que olhava para aquele moreno, de lindos olhos negros, que tudo absorviam e nada devolviam, de músculos longos e esguios nos braços, ombros largos, com um sorriso meio debochado e sedutor, adorava o que via. A atração era mútua entre eles e o clima de romance logo se estabeleceu.

À medida que o tempo passava, coisas estranhas aconteciam. Nora não sabia se os acontecimentos eram reais ou frutos de sua imaginação e estava cada vez mais apavorada. Em várias ocasiões perguntou a Patch sobre seus mistérios, porém o belo rapaz apenas dizia que ela ainda não estava pronta para saber a verdade, mas aos poucos ia lhe dando valiosas dicas.

Certa noite, ela teve a oportunidade de vê-lo sem camisa e em suas costas havia uma enorme cicatriz escura, grossa e em forma de “V” ao contrário. Lembrou do globo de vidro, das pinturas, das histórias sobre o Arcanjo caído e realizou algumas pesquisas no Google para entender melhor sobre o assunto.

Enquanto isso Nora continuava sendo seguida e vigiada nas ruas e em sua casa. Numa das tentativas de descobrir de quem se tratava, Vee acabou sendo atacada e ferida por ter sido confundida com a amiga. Posteriormente Nora negociou informações com uma mendiga de rua, dando-lhe seu casaco e gorro de cabeça. Ao se afastar da mulher ouviu alguns tiros, e quando se aproximou, viu que a mendiga havia sido assassinada.

Desesperada, Nora encontrou um orelhão e ligou para Patch. Assim que ele chegou, entraram no carro e seguiram viagem, mas não demorou muito até que o carro enguiçasse. Uma forte tempestade se aproximava, então se dirigiram para o lugar mais próximo onde poderiam se abrigar.

Chegaram ao motel completamente encharcados. O lugar estava às escuras por conta da tempestade e o quarto contava apenas com a pouca iluminação de duas velas. Nora tomou um banho e sem roupas secas vestiu a camisa menos ensopada de Patch, e ele, ficou apenas de calça, deixando seu torço nu e musculoso a mostra.

Eles se abraçaram e no instante em que se entrelaçaram os dedos de Nora tocaram sua cicatriz. O jovem ficou rijo, tenso, mas não se afastou. Imediatamente Nora entrou numa espécie de transe onde via e ouvia, mas sua presença não era notada. Descobriu que Patch era realmente um Anjo caído, cujas asas foram cortadas, seus poderes retirados e que seu objetivo era matá-la. Nesse exato momento, seus dedos se afastaram da cicatriz e o elo foi desfeito. Triste e com medo, Nora quis saber por que ele desejava acabar com sua vida e Patch revelou sua história.

Quando Anjo se apaixonara por uma humana e foi tomado imediatamente pelo desejo de possuí-la. Estava enlouquecido. Nada sabia sobre ela, mas faria qualquer coisa para poder se aproximar. Durante um tempo observou-a e pôs na cabeça que se descesse a Terra e possuísse o corpo de um humano, seria expulso do céu e se tornaria humano.

Acontece que Patch nada sabia sobre o Cheshvan, desceu em uma noite de agosto e ao retornar para o céu foi detido por uma hoste de Anjos vingadores que arrancaram suas asas e o jogaram para fora do céu. Naquele instante viu que algo não estava certo. Perdeu todos os seus poderes, se tornara uma criatura fraca, patética, não era humano, era apenas um decaído.

Em novembro de 1565, no Vale do Loire, na França, já ciente sobre o Cheshvan, obteve à força o juramento de Chauncey (filho de um Anjo caído com uma humana, pertencente à raça bíblica nefilim) prometendo serví-lo. A partir daí no início do mês hebreu do Cheshvan, durante as duas semanas entre a lua nova e a lua cheia, Patch poderia possuir e assumir o controle do corpo de Chauncey, que humilhado jurou vingança.

Patch até então acreditava ter passado por tudo aquilo por nada e durante um tempo se odiou por isso, mas não desistiu de se tornar humano, viu em Nora o meio de atingir seu objetivo. Somente quando se apaixonou por ela, se deu conta que se não tivesse caído não a teria conhecido.

Só que o mistério ainda não foi completamente esclarecido. Vee caíra nas garras de Elliot e Jules, e se Nora não fosse ao encontro deles sua amiga seria assassinada. Juntos, Patch e Nora partiram rumo ao desconhecido…

Caramba! Adorei o livro! No decorrer da história suspeitei de vários personagens e somente no final a verdadeira identidade do vilão foi revelada, para minha surpresa.

julho 2 2010

Pegando Fogo – Richard Wrangham

O livro é um ensaio científico, e retrata a importância do fogo no processo de desenvolvimento do homem, desde os tempos das cavernas.

Os animais vivem de alimentos crus, e os humanos, sendo animais, deveriam viver muito bem com comida crua, mas o fogo além de fornecer calor nas noites frias, introduziu também o alimento cozido na vida dos seres humanos, dintinguindo-os dos animais, alterando sua cultura, reduzindo pressões seletivas e ampliando outras.

À medida que o alimento cru era substituído pelo cozido, todo o padrão de mastigação, digestão e nutrição foi alterado, e hoje em dia, uma dieta somente a base de alimentos crus só se dá em casos extremos.

Pessoas forçadas a comer dietas cruas, como por exemplo, exploradores perdidos, náufragos, aventureiros isolados, que tentam sobreviver, e que não possuem recursos para cozinhar, prova que o os humanos podem utilizar e apreciar comida crua quando estão ‘famintos’, mas tornam-se emagrecidos e permanecem com fome.

O autor apresenta diversas pesquisas realizadas, discorre com clareza sobre o assunto, e enriquece o livro com trechos de outros autores. Vale à pena conferir!

Separei um desses trechos…

“Um homem não vive do que come, diz um antigo provérbio, mas do que digere.”
(Jean Anthelme Brillat – Savarin, A fisiologia do gosto)

junho 17 2010

Nada é como parece – Marcelo Cezar

É um livro que nos conduz a reflexão e nos ajuda a esclarecer a consciência.

Ensina que todos temos o direito de pensar e idealizar as pessoas como quisermos, afinal possuímos a mente, e com ela o dom de criar situações, como também de enxergar os outros de acordo com nosso senso de realidade.

Senso este que muitas vezes mais atrapalha do que ajuda, simplesmente porque nos cega. Já é hora de entender que devemos olhar e aceitar as pessoas como elas são, e não como gostaríamos que elas fossem.

É comum olhar para o outro, apontar defeitos, fraquezas e fazer julgamentos, mas esquecemos que enquanto um dedo aponta, os outros dedos estão voltados para nós mesmos, e sempre que julgamos, somos julgados na mesma medida e peso.

Embora seja difícil de acreditar, ainda existem pessoas boas e generosas espalhadas pelo mundo, basta ter olhos para ver. A vida é mágica!

Não existem probabilidades, a vida nos envia sinais para melhorarmos sempre, por pior que possa parecer a situação. Aprender a viver melhor é tarefa intransferível, porque ninguém é fraco, apenas não sabe usar a própria força e quando estamos destinados a nos cruzar no mundo, não há tempo e nem fronteiras.

junho 7 2010

Encarnação – José de Alencar

Essa noite não consegui dormir, então ao invés de ficar sofrendo com a situação, tratei de procurar algum livro. Corri rapidamente o olhar pela prateleira e disse: ops! Esse ainda não li e feliz me entreguei à leitura…

Nossa! E que romance lindo! Sofrido! Tive um pouco de dificuldade porque o autor utilizou palavras de seu tempo e não do meu, mas elas me fascinavam linha após linha.

Assim conheci o amor vivido por Hermano e Julieta, que durou até que a morte decidiu separá-los, levando para longe a alma de sua jovem e doce Julieta.

Hermano desde que perdera sua esposa, vivia de suas lembranças. Saudoso, refugiava-se nelas e nos pertences de Julieta, para alimentar os delírios de sua alma triste e doente.

Sua vida seguiu assim por cinco longos anos, quando surgiu Amália, tão jovem, tão alegre, tão sedutora.

Amália quando criança era vizinha de Hermano e Julieta. Certa vez tomada pelo impulso fez a travessura de espiar o jovem casal e quando os viu aos beijos riu fazendo-se notar. Julieta ficou envergonhada com sua privacidade invadida, mas Hermano a segurou e num gesto firme beijou-lhe a boca, como que para afrontar a curiosa menina.

A pequena Amália cresceu e o que vira na chácara ao lado de sua residência ficou adormecido em sua memória. Se mudou com a família e algum tempo depois retornou no auge de sua mocidade. Ela era linda! Os rapazes faziam filas para cortejá-la, desejavam desposá-la, mas para desespero de todos e de seus pais, a moça não pretendia se casar, ela acreditava que o amor só existia em poesias.

Certa noite Amália conheceu o Dr. Henrique, jovem médico, amigo de infância de Hermano e através dele conheceu toda a história do esquisito viúvo.

Amália se embriagou com os detalhes da vida daquele homem. Muito curiosa, passou a espioná-lo e aos poucos se apaixonou de tal forma por Hermano e sua história, que se viu completamente indefesa e a disposição para fazê-lo feliz.

Hermano e Amália se casaram e embora ele a amasse, não conseguia se entregar a ela, causando grande melancolia em sua jovem esposa. Ele sentia como se tivesse traído sua primeira esposa e enganado a segunda, acreditando não poder entregar-se a ela de corpo e alma como havia prometido.

Diante de muito empenho e sofrimento, Amália lutou pelo amor e pela sanidade mental de seu amado, salvando-lhe a vida não apenas do incêndio que ele provocara com o intuito de se matar e de acabar com tudo que lembrasse Julieta.

Graças a Amália, Hermano renasce para consumar a união dos dois de corpo e alma, vivendo um amor pleno, lúcido e no rostinho feliz de sua pequena filha, Hermano encontrou a resposta para seus questionamentos.

junho 4 2010

Laços Eternos – Zibia Gasparetto

O livro usa uma linguagem de época, mas não é difícil de compreender. Aborda a importância da evolução da consciência, a necessidade de se ter fé, paciência, resignação, saber amar, perdoar, receber, mas acima de tudo aprender a dar.

Laços Eternos conta as várias vidas de Gustavo, Geneviève, Lívia, Conde e Condessa de Ancour.

Levados pela paixão, luxúria, vaidade, ambição, orgulho, ódio, fé, humildade e amor, eles são constantemente colocados à prova, se vendo diante de suas fraquezas e de acordo com suas programações espirituais, continuam se ‘esbarrando’ e por vezes invertem seus papeis a fim de se auxiliar e resgatar assuntos pendentes.

Acreditem, nada é por acaso. Não há uma só pessoa ou dificuldade que não tenha um propósito, então é bom estar atento aos sinais, porque as ‘passagens’ pela Terra resultam num somatório de experiências, que muitas vezes ficam adormecidas, mas não esquecidas, portanto, façamos de nossa vida ‘atual’ a nossa melhor versão.