maio 28 2014

Dor familiar

Que dor é esta que adormece,
E momentaneamente suaviza,
Mas retorna a cada lembrança,
De promessas não cumpridas,

Movimentando a água parada,
Tornando-a turva, suja, impura,
Como esgoto armazenado,
Carente de periódica limpeza,

Para não transbordar em ódio,
Ou amargura no coração já mutilado,
Descrente das palavras de seu tutor,

Temporário e passível de erros,
Que a sua maneira fez o melhor que pode,
E apesar do constante sofrimento lhe sou grata.

(Roberta Dias)

maio 26 2014

A Lei de Causa e Efeito

Não se sabe ao certo onde mora,
A alma fria como gelo, o olhar perdido no horizonte,
No tempo e na ilusão da falsa facilidade,
Através de uma porta mais larga,

Todos os dias te perguntas o que fez,
E a resposta é sempre a mesma,
Porque o mundo não é cruel,
Apenas faz cumprir a Lei de Causa e Efeito,

Tudo que fazes, sentes e dizes retornam para ti,
E não adianta fazer-te de desentendido,
O bem e o mau está em todos nós,

Mas prevalece aquele que for melhor alimentado,
Qual lado teu alimentas mais? Pare por alguns segundos,
Reflita e decida, pois só tu responderá por tua escolha.

(Roberta Dias)

abril 8 2014

Quem disse que foi difícil capiau?

Em poucas cutucadas fez-se cair por terra,
A máscara doce do suposto controle,
Da mansidão disfarçada, e finalmente,
Colocando as garrinhas de fora,

Expondo a ignorância típica de capiau,
De quem não distingue o falar, o expressar,
Metafórico permitido pela linguagem,
Ó criatura insignificante!

Quem será mesmo ter duas caras?
Da latrina de onde vieste regressará,
E de nada adianta tentar,

Porque certo como um mais um é igual a dois,
O falso cego despertará e cozinhando-te fará,
Com que proves merecidamente do amargo fel.

(Roberta Dias)

outubro 7 2013

Teus Ensinamentos

Às vezes tudo parece ir tão bem,
Mas num segundo depois algo surge,
Faz-nos lembrar, sentir novamente a dor,
E não é possível fugir,

Mãe, mesmo após séculos,
Nada mudará meu amor por ti,
E ainda que estejas no céu irei defendê-la,
Pois minha melhor e maior amiga és tu,

Ando em busca de paz, de aprendizado,
Necessito evoluir no que há de mais valioso,
Libertar-me dos maus exemplos,

Praticar o perdão, o amor ao próximo,
Distanciar-me do que em nada agrega,
E mesmo que eu vacile não desistir.

(Roberta Dias)

dezembro 28 2012

Saudades Mãe…

Como dizer?
Como explicar?
Que sinto sua falta,
E que imensa é minha dor,

Que sozinha não posso aguentar,
Estou parada num único lugar,
Paralisada, petrificada,
Perdida, solitária,

Em pensamentos só meus,
Com lágrimas derramadas na calada da noite,
Soluços abafados pelo travesseiro,

Oprimindo o peito pelo desejo imenso de correr,
Desaparecer com o nevoeiro na esperança de revê-la,
Após um ano e vinte dias de sua partida.

(Roberta Dias)