outubro 22 2017

Repressão à Liberdade

Repressão à Liberdade, de Márcio Dias, da Banda Profusão Sonora, é uma música com uma letra extremamente atual, apesar de ter sido escrita nos anos 90.

Ela relata o dia-a-dia de medo e guerra urbana em que vivemos, com o eterno confronto nas ruas entre soldados do bem e do mal nos colocando, muitas vezes, no meio do fogo cruzado, onde rezamos, imploramos pela misericórdia Divina, buscando forças para lutar e tendo num beijo infantil o consolo, para todos os gritos e estouros.

Vale a pena escutar!

(Roberta Dias)

setembro 25 2017

Era Uma Vez – Kell Smith

Era Uma Vez, de Kell Smith, é uma música suave aos ouvidos, que me remete a doçura e a tranquilidade da infância, onde tudo era permitido dentro de minha ingenuidade, inocência e imaginação, e que quando me machucava tinha como remédio o beijo e o colo de minha mãe.

Desejei tanto crescer e quando cresci vi que vida de gente grande não é fácil, e que os perigos mudaram de proporção. A diferença é que agora, quando surgem os problemas estou por minha conta.

Escolhi a gravação feita por Bruno Gadiol para compartilhar com vocês e espero que apreciem.

(Roberta Dias)

setembro 2 2017

Obesidade e Depressão – Parte 2

Cheguei ao hospital para a internação com frio na barriga. Após preencher tudo e esperar um pouco fui encaminhada para o quarto, onde aguardaria até que fossem me buscar.

Inicialmente minha cirurgia estava marcada para o dia 11 de julho, mas desmarcaram, daí ficou para o dia 17 de julho e novamente desmarcaram, ficando para o dia 21 e eu só dizia a mim mesma calma, as coisas não acontecem no seu tempo, mas no tempo de Deus.

Eu e meu esposo estávamos no quarto, e de repente ouvimos um alarme doido. Sai ele do quarto e volta dizendo ser o alarme de incêndio. Naquele instante disse: ah não! Fogo? Felizmente foi só um alarme falso, era um treinamento.

Não demorou muito e chegou o moço com a maca. Ele percorreu os corredores daquele hospital muito rápido e enquanto eu olhava as luzes do teto, era como se minha vida inteira passasse em flashes. Ele me deixou numa sala preparatória.

Lá me senti muito tranquila e quentinha, como quando minha mãe me abraçava. O anestesista veio me ver, me fez algumas perguntas e me deu um comprimido. Mais tarde meu cirurgião, Luiz Alfredo Vieira d’Almeida chegou para me levar ao centro cirúrgico, perguntou como eu estava e se eu realmente queria fazer a cirurgia. Com muita calma respondi sorridente que estava bem, feliz e que tinha certeza absoluta. Em tom brincalhão disse a ele: bora! Me preparei para isso.

Me prepararam, colocaram uma fumacinha para eu respirar e a última coisa que lembro foi o anestesista dizendo que eu sentiria sono e que o sono ia ficar mais forte. Quando acordei estava no quarto sendo passada da maca para a cama. Foi tudo muito rápido, mas senti dor até me acomodar direito.

Na sexta-feira à noite comecei a me alimentar. Sempre copinhos de 50ml a cada meia hora até a hora de dormir. No começo estranhei o adoçante, mas logo acostumei.

Mesmo de madrugada, de tempos em tempos vinha alguém para medir a temperatura, a pressão e a glicose, além de repor o soro e a medicação. Senti dor de cabeça e nas costas por ficar deitada de barriga para cima.

Foi estranho depender de outros para urinar naquela comadre, muito desagradável aquilo. No sábado pela manhã chegou a enfermeira para me ajudar a levantar pela primeira vez para que eu fosse ao banheiro, misericórdia, que dor alucinante que senti. Era como se estivessem puxando meus órgãos de baixo para cima.

Levantei a segunda vez sozinha com muito sacrifício. Outra enfermeira chegou e me ajudou com o banho. Depois veio a fisioterapeuta com o Respiron para que eu fizesse exercícios para o pulmão e me levou para caminhar pelos corredores.

Um dos médicos da equipe de meu cirurgião passou para me ver. Comentei da dor que sentia para levantar e ele explicou que injetam um gás durante a cirurgia e que o corpo só elimina aquele gás com a caminhada. Ave Maria, depois que ouvi aquilo levantei muitas vezes com dor e tudo para caminhar. Ele me deu alta no sábado à tarde.

A orientação que recebi foi: nada de ficar deitada, sentar com as pernas para o alto, fazer o exercício respiratório, caminhar de tempos em tempos, cumprir a dieta rigorosamente, a medicação macerada e beber água em pequenos goles sempre.

A noite senti uma dor terrível e no domingo à noite a mesma coisa. Eu repetia para mim mesma, calma garota, cada dia vai ser menos ruim que o outro. Tomei duas injeções para evitar trombose no hospital e 13 em casa.

No 15º dia retirei os pontos. Felizmente não tive nenhum problema. Após um mês tive que tomar uma injeção de vitamina B, meu Deus, aquela doeu e ainda tenho mais duas doses dessa miséria. Está certo, confesso, morro de medo de injeção e fico tensa, mas consegui.

Por 3 semanas minha dieta foi líquida, começou com copinho de 50ml, depois de 100ml a cada uma hora, na 4ª semana comida pastosa sem coar e agora comidinha normal dentro do que minha nutricionista liberou e já posso fazer pequenas caminhadas.

Às vezes quando esqueço e como um pouco mais depressa dá uma dor horrorosa no estômago, morro de medo de entupir, porque se acontecer vou ter que correr para o hospital para fazer endoscopia e empurrar. Também tenho pavor de ter dumping e ficar suando frio, enjoada como se fosse vomitar e até desmaiar, então obedeço às regras do jogo: dois anos sem ingerir açúcar, álcool e gordura. Outra coisa importante é que também não posso engravidar durante esse tempo.

Passando esses dois anos e o peso estando normal, sem engordar e sem emagrecer vem a próxima etapa que é a cirurgia reparadora e estou firme e forte.

Hoje me alimento a cada 3 horas. Não sinto fome e me sinto bem e mais feliz.

(Roberta Dias)